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TEMPO (VIDAS) ROUBADAS

Luiz Fernando da Silva*


Tragédias rotineiramente se repetem. O poder público, em todas as esferas, é incapaz de dar ao cidadão o mínimo de possibilidade de viver bem e em segurança.

Nesta semana nos deparamos com a tragédia com os trabalhadores que perderam suas vidas, diante do trágico acidente na cidade de Taguai – SP. A falha do estado em todos os fatores que contribuíram para essa, e para outras inúmeras, tragédias é evidente.

Desde a falta de emprego nas cidades de origem destes trabalhadores, quanto pelas más condições das rodovias, pela falta de fiscalização dos meios de locomoção, nos mostram que temos um estado caro, incapaz e injusto.

Vidas se perdem em ocorridos como o citado acima e em inúmeros outros. O brasileiro não tem vida, ele simplesmente sobrevive para sustentar um sistema corrupto e ineficiente, onde os amantes do poder vivem encostados, em sua maioria, por toda a vida.

Novamente citando a falta de empregos em muitas cidades da nossa região, a qual é reconhecidamente pobre, temos um acontecimento tão ruim quanto aos que vivenciamos nesta semana. Temos pais e filhos sem tempo, sem vida, sem convivência. Vemos o deslocamento de pessoas por toda região, como no caso dos trabalhadores que foram vitimados essa semana, onde os pais saem quando os filhos estão dormindo e retornam em horários que não possibilitam a interação com os mesmos, correndo inúmeros riscos pelas intragáveis rodovias que nos disponibilizam.

Vivemos em uma época de filhos sem pais, vivendo á margem da sociedade, expostos a todos os riscos imagináveis. Infelizmente a falta de desenvolvimento local e a falta de incentivo a criação de novos empregos em cada município fere não só a evolução do local, mas também, ou consequentemente, a evolução da população como ser humano.

Vidas, e o tempo, estão sendo roubados de inúmeros pais e filhos, os quais não se dão conta que o tempo de convivência, bem como a vida, passa muito rápido.

O tempo não para, e quem perde uma pessoa querida, ou perde o tempo de estar com pessoas queridas, se atenta pra isso muito tarde.

*Luiz Fernando da Silva é advogado militante na comarca de Joaquim Távora e integrante do escritório COS Advogados Associados

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