Norte Pioneiro

Prefeitos devem priorizar as demandas do Norte Pioneiro

Há mais de três décadas região não viabiliza um planejamento para o desenvolvimento dos municípios

Ferrovia abandonada, gargalo para o desenvolvimento regional

Da Redação


Do ponto de vista estratégico, poucas regiões do Paraná possuem tantas potencialidades quanto o Norte Pioneiro do Paraná, microrregião composta por 24 municípios, uma parte deles afastada das decisões políticas agregadas pela Amunorpi, a associação municipalista que sofreu um grande revés por conta de investigações do Ministério Público Estadual (MPPR), atingindo vários de seus dirigentes.

Compõem a microrregião os municípios de Andirá, Abatiá, Barra do Jacaré, Cambará, Carlópolis, Conselheiro Mairinck, Ibaiti, Jaboti, Guapirama, Jacarezinho, Japira, Joaquim Távora, Jundiaí do Sul, Figueira, Pinhalão, Quatiguá, Ribeirão Claro, Ribeirão do Pinhal, Salto Itararé, Santana do Itararé, São José da Boa Vista, Santo Antônio da Platina, Siqueira Campos, Tomazina e Wenceslau Braz.

Desses, no entanto, não participam da Amunorpi os prefeitos dos municípios de Abatiá, Guapirama, Wenceslau Braz, São José da Boa Vista e Figueira, enfraquecendo ainda mais uma entidade que há muito deixou de exercer seu papel de liderança regional.

Reverter este quadro é o desafio dos prefeitos que assumem dia 1º de janeiro de 2021. Se reelegeram os prefeitos de Andirá, Cambará, Santo Antônio da Platina, Carlópolis, Salto do Itararé, Abatiá, Jundiaí do Sul, Conselheiro Mairinck, Ibaiti, Japira, Quatiguá e Tomazina.

 O abandono da ferrovia que interliga as cidades da região ameaça um patrimônio nacional

Independente se “marinheiros de primeira viagem”, esses dirigentes tem a missão de abraçar o desafio de retirar o Norte Pioneiro da triste posição de ser a segunda região mais pobre do Paraná, à frente apenas do Vale da Ribeira, que já vem esboçando reação e ameaça deixa esta parte do Paraná a rabeira em termos de desenvolvimento econômico e social.

Demandas

A última vez que os prefeitos do Norte Pioneiro se reuniram para debater prioridades para o desenvolvimento regional aconteceu na gestão do ex-prefeito de Wenceslau Braz, José Álvaro Gemin, que presidiu a Amunorpi há cerca de 30 anos. A entidade, com ajuda de vários organismos, conseguiu reunir num documento, todas as potencialidades econômicas da região. O triste é que essas prioridades, não saíram do papel, salvo raras experiencias em alguns municípios.

Desta vez os prefeitos esboçam uma reação, conforme posição externada na tarde desta terça-feira (24), pelo prefeito eleito de Jacarezinho, Marcelo Palhares (PSD). Para ele, a discussão de um conjunto de prioridades deve ser a primeira iniciativa dos prefeitos, mas para isso, na sua avaliação, se faz necessário que todos os dirigentes se engajem na Amunorpi.

Para ele, a chave do desenvolvimento regional se resume em uma questão básica: infraestrutura. “O próprio governador Ratinho Junior vem batendo nessa tecla. Não dá para se pensar em desenvolvimento sem infraestrutura, estradas adequadas, recuperação de nossa ferrovia, completamente abandonada e sendo destruída, aeroporto compatível para quem deseja desenvolver o turismo e promover a integração de nossa região com o resto do país”, assinala.

Para Marcelo Palhares, a região tem que recuperar o tempo perdido

Palhares vai mais enfático quando fala de saúde e educação. “Precisamos acabar com esta imagem negativa de região exportadora de doentes. O primeiro passo é viabilizar o Centro Regional de Especialidades Médicas com estrutura para atender boa arte de nossas necessidades na área de saúde. Outro ponto é o fortalecimento da estrutura hospitalar já existente”, aponta.

Para Marcelo Palhares, o Norte Pioneiro precisa de investimentos em educação tecnológica visando disponibilizar profissionais para atender a demanda cada vez mais crescente do mercado de trabalho. “O foco é a qualificação profissional, base para a geração de emprego e renda”, observa.

Geração de emprego

Apesar do foco voltado à geração de emprego e renda com incentivo à educação tecnológica, o prefeito eleito lembra da maior riqueza da região, a agropecuária, a mais diversificada do Paraná. “Nenhuma região do estado possui a diversidade econômica do Norte Pioneiro. Perdemos competividade no item agroindustrialização. Precisamos transformar, industrializar aqui a nossa produção. Tivemos muitos avanços nos últimos anos, mas ainda estamos longe do ideal”, observa.

Finalizando, Marcelo Palhares diz que não há tempo a perder. Essa deve ser a pauta dos prefeitos para o início de 2021. Ele planeja convidar os gestores eleitos para um debate antes mesmo da posse dia 1º de janeiro próximo. “Não existe espaço para contemporizações. Temos que ser diretos, para recuperar o tempo perdido”, conclui.              

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