Justiça Ribeirão do Pinhal

Manifestantes pedem justiça no caso sobre morte de casal

Caso, ocorrido em 12 de outubro, abalou comunidade local; manifestantes querem punição de policial acusado

Da Redação


Uma manifestação, com várias pessoas, ocorrida no último sábado, 21, em Ribeirão do Pinhal, pediu a responsabilização do policial militar, Danilo Everton da Silva, envolvido em um caso que abalou a comunidade local e regional, culminando com os homicídios ocorridos no último dia 12 de outubro, onde foram vítimas o casal Nei Silvério Nunes e Alessandra da Silva Nunes.

O protesto, segundo seus organizadores, serviu como um recado para para as autoridades que atuam no caso, de que a população não apoia tudo que aconteceu, e, também, que querem respostas efetivas da justiça acerca do descumprimento da lei por parte de Danilo, bem como a sua responsabilização pelo homicídio de Nei.

Apesar de ser indiciado por homicídio, o policial está em liberdade com uso de tornozeleira e, segundo denúncias, vem descumprindo as determinações judiciais, sem que nada de restritivo tenha sido aplicado à sua conduta.

A tragédia

Segundo relatos de familiares, e, também de outras pessoas de Ribeirão do Pinhal, o policial, que é casado e possui dois filhos, mantinha um relacionamento extraconjugal com Alessandra Nunes, casada com Nei co, que tinha um filho de 17 anos de idade.

Os mesmos relatos apontam que Alessandra e Nei ainda continuavam casados, fato que foi declarado por testemunhas durante depoimentos nos autos n.º 0002036-49.2020.8.16.0145 que tramitam perante na Vara Criminal de Ribeirão do Pinhal.

Ocorre, que no dia da tragédia, Nei Nunes teria descoberto que estava sendo traído por Alessandra com o policial militar Danilo Everton da Silva, cuja descoberta acabou culminando com a morte do casal.

Os dados constantes do Inquérito Policial, demonstram que Nei foi atingindo por quatro disparos de arma de fogo calibre .40 (arma de propriedade da Polícia Militar), sendo que um dos disparos atingiu sua cabeça e outros três o tórax.

Danilo, quando interrogado perante a autoridade policial, relatou que era namorado de Alessandra, sendo que no dia dos fatos, Nei teria visto sua esposa juntamente com ele no veículo Classic preto. Afirmou ainda que, quando a mulher chegou à residência, teria sido agredida pelo marido, que na versão de Danilo, estava armado com um revólver calibre 32, com o qual teria feito um disparo contra Alessandra.

Ainda segundo o policial, Nei teria colocado a esposa no veículo Fiat Uno se dirigindo ao sitio de propriedade da família. Chegando ao local, conforme Danilo, Nei estava arrastando o corpo de Alessandra, oportunidade que o PM admite ter feito vários disparos de arma de fogo na direção do homem.

Em seguida, segundo relata, Nei Nunes caiu ao chão e ainda estava com os olhos abertos, momento em que o policial disparou mais 03 vezes contra o seu corpo. Relata, também, que colocou Alessandra em seu veículo e a levou até o hospital de Ribeirão do Pinhal, contudo, ela veio a óbito.

Entretanto, a versão sustentada por Danilo, é bem diferente das declarações prestadas por testemunhas, vizinhas da residência de Alessandra e Nei. Estas testemunhas, narraram que Nei Nunes estava na residência, quando Alessandra passou por essas pessoas retornando à sua casa. Em seguida, um carro preto chegou à frente da casa do casal, sendo que Danilo teria saído do carro, portando algo preto e grande em suas mãos, momento em que teria proferido vários xingamentos contra Nei.

As testemunhas relataram, ainda, que ouviram um disparo de arma de fogo, justamente no momento em que o policial Danilo Silva portava algo preto em suas mãos, o que fez com que Nei Nunes saísse da residência com o veículo Fiat Uno, arrancando o portão. Ao sair do local, segundo as mesmas testemunhas, Nei foi perseguido por Danilo, que saiu da frente da casa praticamente colado no veículo dirigido por Nei.

Posteriormente, segundo essas testemunhas, ficaram sabendo do ocorrido, mas ressaltaram que o casal vivia em harmonia e que naquela data, estavam muita próximas da residência, onde puderam afirmar que não houve discussão,  muito menos briga envolvendo Nei  Nunes e Alessandra, pois quem chegou na frente da casa, agindo de forma agressiva teria sido o policial.

A versão apresentada pelo policial em seu depoimento, segundo essas testemunhas, deixa muitas dúvidas, pois, alega em seu favor a legitima defesa. Contudo, seus próprios colegas, policiais militares, ouvidos no dia dos fatos, com antecedência de minutos de Danilo, afirmaram que quando chegaram no local dos fatos, Danilo havia dito a eles que Nei havia se matado, omitindo, assim, que teria efetuado vários disparos de arma de fogo contra Nei.

O que tem causado repulsa e comoção social em Ribeirão do Pinhal, foi o fato de que Danilo, apesar de seu réu confesso e ter sido indiciado pelo delegado Tristão Borborema de Carvalho por homicídio, foi colocado em liberdade já no outro dia pela juíza criminal da Vara do Plantão Judiciário.

No entanto, para que pudesse ser colocado em liberdade, foi determinado que Danilo Silva cumprisse algumas condições, dentre elas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de frequentar determinados lugares, bem como de se aproximar das famílias das vítimas e de testemunhas.

Em uma consulta nos autos de processo, pode-se constatar, que apesar de terem sido impostas essas condições ao policial, ali consta o descumprimento da proibição de se aproximar das famílias das vítimas e das testemunhas em duas oportunidades, demonstrando que vem deliberadamente descumprindo a liberdade condicional.

A decisão proferida pela magistrada, foi clara ao prever que “o descumprimento de qualquer das normas de conduta resultará na decretação da prisão preventiva, nos termos do que estabelece o artigo 312, parágrafo único, do CPP”, contudo, mesmo constando dos autos do processo o descumprimento das condições impostas, segundo testemunhas ouvidas na condição de anonimato, Danilo continua a circular pela cidade, como se nada tivesse acontecido, frequentando bancos, mercados e o local onde Alessandra trabalhava.

Pode-se constatar, também, que o policial possui registros por abuso de autoridade, homicídio e tortura, sendo, aos olhos dos moradores de Ribeirão do Pinhal, uma pessoa muita violenta e sua liberdade uma afronta à comunidade.

A população tem visto isso com estupefação, já que Danilo transita por toda a cidade, fardado, com uma tornozeleira eletrônica em sua perna, o que gera repulsa, uma vez que estas atitudes não afetam apenas a sua imagem, mas também a própria Polícia Militar como instituição.

A comoção foi tão grande, que gerou indignação de muitas pessoas nas redes sociais. Portanto, resta às autoridades de Ribeirão do Pinhal, dar a efetiva resposta aos crimes praticados, punindo os seus responsáveis.

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