Paraná

Estiagem ainda vai castigar o PR talvez até inicio de 2021

Alerta Paraná


Entre agosto e outubro, o regime de chuvas ficou entre 50% e 70% abaixo da média no Paraná, agravando ainda mais a situação hídrica do Estado e especialmente na Região Metropolitana de Curitibana, onde o déficit pluviométrico dos últimos 12 meses foi de 650 milímetros.

No Oeste e no Sudoeste a situação é tão preocupante que a Sanepar já planeja o racionamento de água em várias cidades após esgotar praticamente todas as possibilidades de aumento de captação e tratamento. Diversos rios estratégicos das duas regiões estão com vazão reduzida em até 70%. O Lago Municipal de Cascavel (foto) jamais esteve com o nível tão baixo.

Como se isso não bastasse, o Simepar prevê que a estiagem poderá se prolongar pelo menos até as próximas chuvas de verão, entre dezembro e fevereiro do ano que vem. Além disso, o Paraná pode ser ainda mais impactado pelo resfriamento das águas do Pacífico provocado pelo fenômeno La Niña, que pode ter como consequência um verão mais seco no Estado, justamente quando são esperadas as chuvas mais intensas.

E não é apenas o abastecimento de água que fica comprometido com a falta de chuvas. A estiagem é ruim para o meio ambiente, aumenta o risco de queimadas e reduz a qualidade do ar, causando impactos danosos para a saúde e a economia por afetar a agropecuária e a produção de energia.

“Estamos muito preocupados com essa situação. É uma dificuldade adicional em meio à pandemia. Estamos tentando novas parcerias com a União para acelerar investimentos que serão essenciais nos próximos meses”, afirmou o governador Ratinho Junior, que ontem foi pedir ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a ajuda da União no enfrentamento da crise hídrica.

“É um momento urgente. Estive em Brasília para buscar apoio nessa pauta que tem nos preocupado. É uma luta que envolve nossa bancada de senadores e nossos deputados. Precisamos encontrar alternativas para minimizar o impacto da seca e para estimular, ainda mais, o uso consciente da água”, ressaltou.

O Paraná integra o Monitor de Secas do Brasil, instituído pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), que faz o acompanhamento regular da escassez hídrica no País. No balanço mais recente, divulgado em setembro, o Paraná era o Estado com a situação mais crítica entre as 19 unidades da federação monitoradas.

INVESTIMENTOS

Como parte dos investimentos nessa área, a Sanepar corre contra o tempo para entregar a Barragem de Miringuava, em São José dos Pinhais. Com investimentos de R$ 160 milhões, a barragem vai incrementar 38 bilhões de litros de água na reservação do Saic (Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba), formado pelas barragens Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. A capacidade de produção de água passará dos atuais 1.000 litros/segundo para 2.000 litros/segundo, abastecendo cerca de 650 mil habitantes.

Em meio à crise hídrica, o Governo do Estado e a Sanepar também pretendem criar uma reserva hídrica junto ao Rio Iguaçu. A proposta prevê a implantação de um sistema de reservatórios lineares capaz de armazenar volume superior a 100 bilhões de litros de água.

Pelo projeto, serão feitas intervenções em uma área total de 17 mil hectares, abrangendo as quatro barragens do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana. Ao todo, haverá estruturação em 97 quilômetros lineares ao longo do traçado do Rio Iguaçu, entre os municípios de Quatro Barras e Porto Amazonas. Os reservatórios lineares serão criados com a interligação de cavas já existentes. (Imagem: Reprodução Catve)

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