Educação

Pais reclamam de pressão de professores por votos contrários

Alguns professores estariam pressionando pais e alunos a votar contra o projeto que implanta ensino cívico-militar nas escolas


Placa, com erros de português, pede que comunidade escolar vote contra o ensino cívico-militar

Da Redação


Uma enorme polêmica se formou em determinados municípios da região pela postura de alguns professores com relação ao projeto do Governo do Estado que prevê a implantação de colégios cívico-militares. Pais de alunos de Santo Antônio da Platina e Jacarezinho reclamam da postura de educadores, que estariam fazendo pressão para que o plesbicito que decidirá a adesão ou não ao projeto seja negado.

Em contato com a reportagem da Tribuna do Vale nesta terça-feira (27), dois pais de alunos matriculados em escolas que podem ter a implantação do projeto afirmaram haver pressão por parte de professores para votação contrária à iniciativa. De forma anônima, os pais afirmaram categoricamente que a ação dos professores não é conscientização, e sim uma tentativa nítida de influenciar a opinião da comunidade escolar.

“O que aconteceu hoje com a minha filha, uma criança do7º ano, é um absurdo. Se eu tivesse provas iria denunciar no Núcleo Regional de Ensino. Uma coisa é você explicar uma situação, outra coisa é fazer terror psicológico e pressão sobre crianças e adolescentes. Sempre tive maior respeito pela profissão de professor, mas tem alguns que não merecem ter esse título porque não honram a profissão”, acusa o pai de uma aluna do 7º ano do Colégio Estadual Anésio de Almeida Leite, em Jacarezinho.

“Por acaso hoje era meu dia de folga e vi de perto o que estava acontecendo. Na hora devia ter filmado e, como eu disse, denunciaria quem está fazendo isso. Tem gente que nem tem relação com a escola e está fazendo bagunça aí”, continua.

Discurso similar tem a mãe de uma aluna do 9º ano do Colégio Estadual Dona Moralina Eleutério, em Santo Antônio da Platina, que inclusive apresentou prints e áudios de conversas pelo WhatsApp onde mostra o desejo da filha, menor de idade, em ter a mudança para o estudo cívico-militar. “Justamente os alunos que são os piores agora são contra, porque não querem obedecer mesmo”, diz a aluna, que cita o termo “intimidação” sobre a postura de alguns professores a respeito do tema.

PROJETO
O projeto de implantação de colégios cívico-militares foi anunciado segunda-feira pelo governo do Paraná beneficiará 11 escolas de oito municípios da região, ofertando um total de 6.205 matrículas disponíveis nessas instituições de ensino.

A nova modalidade de ensino funcionará com gestão compartilhada entre militares e civis em escolas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. As aulas continuarão sendo ministradas por professores da rede estadual, enquanto os militares serão responsáveis pela infraestrutura, patrimônio, finanças, segurança, disciplina e atividades cívico-militares. Haverá um diretor-geral e um diretor-auxiliar civis, além de um diretor cívico-militar e de dois a quatro monitores militares, conforme o tamanho da escola.

Plesbicito vira palanque eleitoral

Da Redação

Não bastasse a reclamação dos pais com relação à postura de alguns professores, há ainda relatos de que políticos especialmente de partidos de esquerda estejam usando o plesbicito como palanque eleitoral.

O mesmo pai da aluna do Colégio Anésio de Almeida Leite, em Jacarezinho, que se queixou da pressão, ainda relata a participação de candidatos usando o evento para se promover politicamente. “Não é por nada, mas tem professora aí que é candidata a vereadora e está abordando os pais falando disso e já pedindo voto para ela, falando que isso é coisa de um outro candidato a prefeito da cidade, que ele quer acabar com as escolas. Questionei se não era um projeto do Paraná e ela se enrolou toda”.

Em Santo Antônio a situação é a mesma, com candidatos de partidos de esquerda usando da situação para promover as próprias campanhas eleitorais. Em ambos os municípios o PT, um dos principais partidos contrários a ideia, lançou candidatos a prefeito e vereador.

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