Policial

Reaberto o inquérito que apura a morte de Andrei Francisquini

Investigação havia sido arquivada por decisão da Justiça Militar em agosto do ano passado 

Inquérito sobre a morte de Andrei Francisquini é reaberto pela Polícia Civil

Da Redação


A Polícia Civil, através da delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade, titular do 3º Distrito Policial da Capital, reabriu esta semana o inquérito policial que apura as circunstâncias da morte do jornalista Andrei Gustavo Orsini Francisquini, por policiais militares, ocorrido na madrugada do dia 12 de maio de 2019, na Praça da Espanha, centro de Curitiba.       

A Justiça Militar de Curitiba optou por trancar o inquérito policial do caso Andrei no dia 13 de agosto de 2019, três meses após a ocorrência que abalou o Paraná pelas circunstâncias em que o caso ocorreu. As investigações apuravam o envolvimento de três soldados da PM na morte de Andrei Francisquini.

A decisão foi do juiz Sergio Bernardinetti, da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual. O magistrado determinou que o caso deveria ser apurado apenas pela Polícia Militar (PM). O inquérito da Polícia Civil sobre teve nulidade integral decretada. Segundo a decisão, há “expressa vedação constitucional de investigação de crimes militares pela Polícia Civil”.

“Em vista de cometimento de suposto crime de homicídio por Policiais Militares, deve ser instaurado Inquérito Policial Militar pela autoridade militar competente, que será, então, remetido à justiça comum, para julgamento pelo Tribunal do Júri”, relata o magistrado na sentença.

Ocorre que o inquérito militar também foi arquivado porque as apurações internas da PM não vislumbraram atitude que merecesse punição, dando a entender que os três policiais sairiam livres da possibilidade de um júri popular.

Na versão da PM, Andrei teria sido morto após ser abordado por policiais militares, desobedecer a ordem policial e fugir com seu carro. Uma pistola teria sido encontrada com ele, porém, durante as investigações, foi apurado que nenhum disparo foi feito com ela. Uma perícia realizada na arma, no carregador e nos projéteis, todos intactos, não encontrou as digitais da vítima na arma.

Imagens de câmeras de monitoramento na Avenida Vicente Machado comprovam que Andrei foi abordado antes do episódio que culminou com sua morte na Pra da Espanha, centenas de metros adiante. Dois policiais, ocupantes de uma viatura, viram o carro do jornalista estacionado nas proximidades de alguns bares, quando resolveram, abordá-lo.

Sem que o condutor representasse qualquer risco, os PMs dispararam pelo menos cinco tiros contra o carro, colocando em risco as vidas de dezenas de pessoas que se encontravam nas imediações, tanto que um rapaz foi atingido por estilhaço, sendo socorrido em um hospital. Curioso que a PM, em seu Boletim divulgado na manhã do dia 12, omitiu esse fato. Imagens de outras câmeras derrubam várias versões dos policiais para explicar a abordagem.

Agora o caso recomeça e a sociedade do Paraná, especialmente familiares e amigos de Andrei Francisquini esperam que as autoridades deem uma resposta sobre exatamente o que ocorreu naquela fatídica madrugada de domingo, dia 12 de maio, data dedicada às mães.

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