Cidadania

Cresce número de animais abandonados

“Vivemos sob a cultura do abandono. Estamos tentando conscientizar as novas gerações para melhorar essa realidade”

Mauro da Ong Mundo Cão junto ao cão Dingo, que está em tratamento a
CRÉDITO: ANTÔNIO DE PICOLLI

Dayse Miranda, especial para Tribuna do Vale


A ONG Mundo Cão, em Santo Antônio da Platina, anuncia que já é possível notar aumento no número de animais abandonados nos últimos dias. A triste realidade, vem seguida de um aumento de quase 50% nas adoções no início da pandemia. A organização, atribui esses abandonos, primeiramente ao fato da “cultura do abandono” – onde muitas pessoas ainda tem o hábito de despejar animais em qualquer lugar para apenas se livrar do “problema”. Outro fato que indica o aumento dos abandonos, é a questão das mudanças durante a pandemia – onde a pessoa precisa se mudar para um local menor, ou para outra cidade por questões de trabalho e não tem condições de levar os bichinhos de estimação. Nesta realidade, muitos, ao invés de procurar por um novo lar, ou um tutor temporário para abrigar estes animais, preferem depositá-los nas ruas ou até mesmo abandoná-los dentro da casa, sem qualquer assistência e alimento. Nas ruas, muitos perdem a vida atropelados, e outros só conseguem ser abrigados quando estão muito adoecidos.

Abandonar animais é crime federal, previsto na Lei dos Crimes Ambientais 9.605/98
CRÉDITO: Comunicadores.info

Nesta linha de frente, em prol dos animais, o membro da ONG Mundo Cão, Mauro Avila Sollero, está diariamente na luta pelo controle de zoonoses no município – castrações. Segundo Mauro, ao contrário do que muitos pensam, A ONG não tem finalidade de fazer resgate de animais de rua, até porque não tem local para abrigá-los, mas sim, tentar diminuir o número populacional de cães e gatos nas regiões mais periféricas.

A Organização conta com voluntários que ajudam dando lares temporários para abrigar ou resgatar animais em situação de vulnerabilidade. “Vivemos sobre a cultura do abandono. Aos poucos está melhorando, mas temos essa cultura ainda. Nossa missão na ONG é levar para as crianças nas escolas que os animais não são objetos e conscientizar que não podem ser abandonados. Inclusive, já percebemos que em alguns períodos, alguém recolhe uma quantidade grande de animais em um determinado lugar e despeja em uma cidade. Se fazem com moradores de rua, quem dirá com bicho”, lamentou Mauro.

Apesar da incessante luta diária para evitar que novos animais sejam abandonados pelas ruas, Mauro detalha que ainda é um trabalho seletivo. “Não conseguimos dar conta de tanta demanda. O número de animais que precisam ser castrados é muito alto e nós da ONG somos apenas os mediadores entre a comunidade e o veterinário. Nós queremos ajudar a comunidade, mas temos nossas limitações. A aquisição de um Castramóvel seria ideal para resolvermos por região e com mais facilidade. Mas enquanto isso não acontece, fazemos o possível para ajudar a comunidade. Quanto mais animais castrados, menor a chance de novos animais abandonados pelas ruas”, detalhou.

O período de pandemia tem afetado diretamente as finanças da ONG, que promovia ações para angariar fundos (chá, pizza, rifa e entre outros). “Com esse período de isolamento fica ainda mais complicado. Por sorte temos algumas empresas parceiras, recebemos doações, mas sempre toda ajuda é bem-vinda porque a demanda não acaba”, disse.

ABANDONO É CRIME – Abandonar animais é crime federal, previsto na Lei dos Crimes Ambientais 9.605/98. A pena é de três meses a um ano de detenção e multa. A pena pode ser aumentada em um terço a um sexto se houver morte do animal. 

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ADOÇÃO RESPONSÁVEL

Adotar é um ato de amor, mas também envolve uma série de responsabilidades, inclusive jurídicas. Antes de adotar um animal é preciso fazer um estudo para evitar imprevistos. É importante saber que tipo de animal pretende ter, sexo, qual o tempo que a família tem para esse animal (para tratar, dar atenção, carinho e cuidados), o espaço do ambiente deve ser de acordo com o porte do animal, pelagem e temperamento.  

Além disso, para manter a plena saúde do animal escolhido, é importante a vacinação em dia, controle de endoparasitas e ectoparasitas, levar ao veterinário quando necessário, dar alimentação adequada e saber que animal é vida e precisa de cuidados diários (água limpa, ambiente bem higienizado, alimentação balanceada e abrigo).

Cães e gatos podem viver em média 15 anos ou mais e é quando ele ficar velhinho ou doente que mais precisará de sua família. Por isso, é importante que toda família esteja de acordo no momento da adoção, para que o animal não sofra maus tratos e nem abandono.

Segundo a ONG Mundo Cão, 99% dos pretendentes à adoção preferem filhotes, e neste caso é preciso paciência para educá-los e lembrar que filhotes tendem a morder muitos objetos na troca dos dentes. A castração é um passo muito importante na vida do animal, com isso, evita-se crias indesejadas e protege de futuras doenças no aparelho reprodutivo, como tumores e infecções.

Ter um pet é um compromisso, portanto, na hora de adotar é preciso responsabilidade e muito amor.

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