Região registra 5 mil casos até agora

Ano epidemiológico se encerrará com recorde de registros na região

Da Redação


Presença de diferentes fatores contribuintes e perca do foco pela chegada da Covid-19 contribuíram para o aumento significativo da dengue

O atual período epidemiológico da dengue se encerra em julho e deixará uma triste estatística: número recorde de casos da doença em praticamente todo Brasil. Na região o panorama segue essa tendência de estatísticas alarmantes. Para se ter uma ideia, o presente ano epidemiológico – que ainda nem chegou ao fim – já tem muito mais registros do que os últimos cinco anos somados entre os municípios da região abrangidos pela 19ª Regional de Saúde, com sede em Jacarezinho.

De acordo com os boletins epidemiológicos divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, os 22 municípios da região contabilizam juntos no atual ano epidemiológico o total de 5.111 casos de dengue confirmados, levando em consideração que o período em questão vai de agosto do ano passado até julho de 2020.

Para o professor de biologia Rafael Vinícius Ferreira dos Santos, morador de Siqueira Campos e com aulas ministradas em diferentes instituições do Paraná e São Paulo, a soma de alguns fatores contribuíram diretamente para este resultado tão crítico. “A dengue tem fatores determinantes e fatores contribuintes. Os fatores determinantes são população, mosquito e vírus. Se um desses faltar, não há casos de dengue. Os fatores contribuintes são temperatura, pluviometria, umidade relativa do ar, acúmulos de criadouros e outras questões ‘menores’. Eu vejo que o Norte Pioneiro tem claramente os três fatores determinantes e vários fatores contribuintes. Para piorar apareceu a Covid-19, que de certa forma tirou a atenção da população para a dengue, que acabou tendo um ‘espaço’ para crescer que não existia em anos anteriores”, pontua.

“Apesar de um período de seca forte neste ano, houve um número significativo de volume de chuva durante todo o ano epidemiológico, que é o espaço analisado para o registro dos casos de dengue. O mosquito também está mais resistente. E existe, claramente, o descuido da população, que é ao menos na minha opinião o fator mais agravante nesta questão. A grande maioria dos criadouros está em áreas particulares, casa, terrenos, clubes, enfim, locais com donos, mas que por um motivo ou outro acabam se tornando criadouros e afetam todo o coletivo”, completa.

Opinião parecida tem o chefe do departamento de Vigilância Sanitária de Wenceslau Braz, Thiago Roberto. “A dengue tem uma espécie de ciclo que se repete. Vem um período com bastante casos e aí surgem cuidados, que acabam por diminuir os casos no próximo período. Mas sempre em período com poucos casos, tem o relaxamento das pessoas e até mesmo do poder público, e nisso resulta em um próximo período com novo crescimento da doença. É o que aconteceu em 2020. Em 2018 foi um ano de poucos casos, teve o relaxamento, ano passado cresceu e agora explodiu o número. Mas temos que ter consciência que as pessoas são a arma mais importante contra a dengue, porque não tem como ter combate sem as pessoas adotarem as medidas”, avalia.

TOTAL DE CASOS DOS ÚLTIMOS ANOS ENTRE OS 22 MUNICÍPIOS DA 19ª REGIONAL DE SAÚDE

ANO CASOS
2020* 5.111
2019 1.024
2018 00
2017 03
2016 504
2015 1.724

Ano epidemiológico se encerrará

com recorde de registros na região