A saúde após as eleições

Michele Caputo


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O artigo publicado no Espaço Aberto da Folha de Londrina no último dia 6 levou-me a refletir sobre os enormes desafios que teremos pela frente nos próximos meses. Uso o plural no sentido real do seu significado e não pensando em um plural majestático. Ou seja, se todos nós, os profissionais de saúde, os líderes dos movimentos de saúde, os dirigentes do setor público e do setor privado, sem esquecer do Terceiro Setor, não nos unirmos para consolidar os avanços dos programas bem sucedidos e para fazer as mudanças necessárias no modelo de gestão e no modelo de atenção, temo que teremos piores dias à vista.

O autor do artigo publicado, como um dos líderes da Carta Aberta aprovada em sessão plenária do Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva, realizado em julho passado, tem toda a legitimidade para agora, passadas as eleições, alertar e cobrar dos eleitos os compromissos assumidos. Sinto-me no dever de reiterar minha disposição de usar os meios que terei à disposição com o mandato de deputado estadual, que me foi conferido para, a partir do dia 1º de fevereiro do próximo ano e com a experiência de quase três décadas como gestor da saúde, na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e na Secretaria de Saúde do Paraná, continuar contribuindo para a queda das taxas de mortalidade, para a diminuição das filas de transplantes, para o aumento do tempo médio de vida do paranaense, para a melhoria das ações da Vigilância em Saúde entre outras.

Nessas semanas estamos todos acompanhando com muita atenção as movimentações dos governantes eleitos. Tanto no plano federal, com as declarações do futuro presidente Jair Bolsonaro; como no plano estadual, com as movimentações e iniciativas do futuro governador Ratinho Junior. Desde já reiteramos que não será possível tolerar o retorno das atitudes discriminatórias por parte do Ministério da Saúde para com o Estado do Paraná, como ocorreu durante alguns anos dos últimos governos. Principalmente durante o período 2011 a 2016, milhões de reais deixaram de ser transferidos para o Governo do Paraná, para os municípios, para os prestadores privados e filantrópicos. Só com a posse do ministro Ricardo Barros, justiça seja feita, aquela odiosa discriminação, de cunho político-partidário, deixou de acontecer.

Com relação ao Governo do Estado, existe uma grande expectativa na escolha do futuro secretário de Saúde e na definição das suas prioridades em termos de políticas de saúde, de programas e de projetos estratégicos de saúde.

O Paraná avançou muito na construção do SUS nos últimos anos. Novos problemas surgem a todo momento e uma gestão eficiente é elemento-chave para melhores dias na saúde. As eleições terminaram. Agora precisamos remar juntos, como fizemos nos últimos anos como gestor. De minha parte, agora como parlamentar, estarei aberto para receber as críticas e sugestões. Reitero portanto meu compromisso com o “povo da saúde” e com a saúde do paranaense!

Michele Caputo, farmacêutico, ex-secretário de Saúde do Paraná e deputado estadual eleito para a legislatura 2019-2022

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https://www.folhadelondrina.com.br/opiniao/a-saude-apos-as-eleicoes-1021065.html