Polícia registra um caso de violência contra mulher a cada 48 horas

Em apenas 24 dias, 12 vítimas procuram a 38ª Delegacia Regional de Polícia para denunciar agressão

Luiz Guilherme Bannwart


Delegado Rafael Guimarães diz que ocorrências englobam ameaças e lesões corporais Foto: Antônio de Picolli

A Lei Maria da Penha trouxe da sombra uma realidade escondida nos lares brasileiros. A violência praticada contra a mulher no ambiente familiar assusta, porque onde deveria existir união e acolhimento, sobressai a crueldade e o medo. Em Santo Antônio da Platina, a Polícia Civil registrou 12 casos de violência contra a mulher, em apenas 24 dias, o que representa uma denúncia a cada dois dias.

De acordo com o delegado Rafael Guimarães, os casos registrados na 38ª Delegacia Regional de Polícia englobam ameaças e lesões corporais entre pessoas que habitam a mesma casa ou que tenham relação familiar ou de afeto. Em dois dos 12 casos registrados na unidade houve descumprimento de medida protetiva pelos agressores.

As alterações trazidas pela lei endureceram o tratamento à agressão doméstica contra a mulher. A norma, por exemplo, triplicou a pena para lesão corporal leve no âmbito doméstico, permitiu a prisão em flagrante dos agressores e terminou com a substituição da detenção pelo pagamento de multa ou cestas básicas. No entanto, ainda assim os casos de violência contra a mulher são considerados bastante elevados pelos organismos de segurança.

Em agosto de 2018, a Lei Maria da Penha completou 12 anos. Em pouco mais de uma década de vigência, a Lei motivou o aumento das denúncias de casos de violação de direitos. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), que administra a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180, foram registradas no primeiro semestre deste ano quase 73 mil denúncias. O resultado é bem maior do que o registrado (12 mil) em 2006, primeiro ano de funcionamento da Central.

As principais agressões denunciadas são cárcere privado, violência física, psicológica, obstétrica, sexual, moral, patrimonial, tráfico de pessoas, homicídio e assédio no esporte. As denúncias também podem ser registradas pessoalmente nas delegacias especializadas em crime contra a mulher.

Feminicídio

Fruto da Lei Maria da Penha, o crime do feminicídio foi definido legalmente em 2015 como assassinato de mulheres por motivos de desigualdade de gênero e tipificado como crime hediondo. Segundo o Mapa da Violência, quase 5 mil mulheres foram assassinadas no país, em 2016. O resultado representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, houve um aumento de 6,4% nos casos de assassinatos de mulheres.