Infestação de caramujo africano assusta moradores da Alemoa

Molusco foi trazido ao Brasil com intenção comercial, mas virou uma praga com riscos à saúde humana

Agência Criativa – David Batista


A presença de caramujos africanos vem preocupando os moradores do Balneário da Alemoa, no município de Siqueira Campos. Nos últimos anos a invasão desse tipo de molusco, segundo os moradores, vem crescendo em ritmo acelerado e hoje estão se reproduzindo em terrenos baldios, quintais e invadindo residências.  Sem assistência, os moradores, desorientados, buscam alternativas para inibir a presença indesejada.

O espécime encontrado no Balneário é o caramujo-gigante-africano, Achatina fulica, oriundo da África. Ele também é chamado de acatina, caracol-africano, caracol-gigante, caracol-gigante, entre outras denominações. O molusco foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 80, entrando pelo Paraná, com o intuito de substituir o escargot, uma vez que sua massa é maior que a destes animais.

Levado para outras regiões do Brasil, o caramujo africano acabou não sendo bem-aceito entre os consumidores e sua comercialização foi proibida pelo IBAMA, fazendo com que muitos donos de criadouros, displicentemente, liberassem suas criações na natureza, sem tomar as devidas providências.

Além de destruírem plantas nativas e cultivadas, alimentando-se vorazmente de qualquer tipo de vegetação, e competir com espécies nativas – inclusive alimentando-se de outros caramujos; tais animais são hospedeiros de duas espécies de vermes capazes de provocar doenças sérias.

Segundo pesquisas o Angiostrongylus costaricensis é o responsável pela angiostrongilose abdominal, doença que provoca perfuração intestinal, de sintomas semelhantes aos da apendicite. O Angiostrongylus cantonensis é o responsável pela angiostrongilíase meningoencefálica, de sintomas variáveis, mas muitas vezes fatal.

Tanto uma quanto outra doença podem ocorrem pela ingestão do parasita, pelo manuseio dos caramujos, ingestão destes animais sem prévio cozimento, ou ainda de alimentos contaminados por seu muco, deixados nas hortaliças e verduras.

Na Alemoa, os moradores que estão vendo os caramujos africanos invadindo suas casas, buscam as mais variadas alternativas, na tentativa de acabar com os visitantes indesejáveis. Aplicação de veneno com bombas, sal espalhado nas proximidades das residências, água quente, colocação de galinhas nos terreiros e aplicação de cal virgem, são algumas das armas utilizadas pela população, que não sabe a quem recorrer para pedir ajuda.

A Chefe da Vigilância Sanitário de Siqueira Campos, Eliane Rodrigues dos Santos Oliveira, Licenciada em Geografia, cursando Técnico em Meio Ambiente e Tecnólogo em Gestão Pública,  afirmou que é preciso que toda a população do Balneário, realize o trabalho de catação dos caramujos, “esses caramujos se espalharam rapidamente no Brasil a partir de 1980 e em locais como o Balneário da Alemoa, eles encontram o habitat ideal, ou seja úmido, aí a proliferação acontece muito rápida, tendo em vista que cada indivíduo coloca até  400 ovos de cada vez. Não temos de momento uma ação disponível para combater a proliferação desses caramujos. A população pode fazer o que chamamos de catação no seu quintal utilizando luvas, quebrando os caramujos, colocando cal e enterrando-os. Queremos deixar claro que a população deve procurar a Vigilância Sanitária e denunciar donos de terrenos vazios, onde esses indivíduos se multiplicam com muita rapidez”, ressaltou Eliane.