Chuva forte cai sobre Cambará e ribeirinhos revivem drama de perder tudo menos de um ano após a trágica enchente.

“Meu Deus, como isto é possível”, diz moradora que revive tragédia e não sabe o que fazer.

C.Roberto Francisquini


Crédito:  C.Roberto Francisquini

A inércia política cambaraense faz mais vítimas menos de um ano após a trágica enchente que se abateu sobre a cidade causando uma morte e deixou um rastro de destruição, devastando os sonhos de muitas famílias que vivem nas áreas baixas da cidade.

A inércia política cambaraense faz mais vítimas menos de um ano após a trágica enchente que se abateu sobre a cidade causando uma morte e deixou um rastro de destruição, devastando os sonhos de muitas famílias que vivem nas áreas baixas da cidade.

As cenas de horror que deixaram muitas famílias desabrigadas na ocasião mobilizou toda a sociedade. Foi um gesto lindo de união, solidariedade e fraternidade do povo de Cambará. O prefeito José Salim decretou estado de calamidade pública e diversas autoridades estaduais estiveram na cidade para ver de perto o drama das famílias afetadas. Depois daquele episódio muito foi debatido sobre a questão e pouca coisa, ou nada, foi feito para dar tranquilidade a quem não tem aonde recorrer para sair das áreas de riscos.

Pois é, aconteceu novamente. A noite deste domingo (14) vai ser longa e trágica para os moradores vizinhos ao rio Alambari. As pancadas de chuvas que caiaram sobre a cidade voltou a castigar os ribeirinhos, causou prejuízos e levou muito medo para quem mora nas áreas baixas da cidade e não tem para onde ir.

Este é o caso de Luciana Silva, desempregada. Ela foi uma das vítimas de 2017 e voltou a ser este ano. Ela estava desolada ao ver que parte do que ganhou da última enchente se perdeu novamente neste domingo e ela teme o pior.  “Meu Deus, como isto é possível”, lamenta. Luciana é uma das vítimas da irresponsabilidade política local. “Falaram tanto que iriam investir em melhorias para nos dar tranquilidade e veja aí o resultado”, protesta. Entre lágrimas, mostra os cômodos da humilde residência tomados pela lama. A chuva que caiu sobre a cidade neste domingo, foi de menor densidade em comparação com a do ano passado, mas foi o suficiente para alagar diversas casas na rua Antônio Castanho. As equipes da Defesa Civil, Guarda Municipal, Sanepar e parte do quadro da infraestrutura da prefeitura estiveram no local. Bueiros entupidos exalavam mau cheiro e alguns móveis danificados pelo barro que invadiu as residências foram levados pelo caminhão da prefeitura.

A indignação é geral. Alguns vereadores que estivaram no local recomendaram que as famílias promovessem protestos na porta da prefeitura na manhã desta segunda. “Não queremos protestar, queremos uma solução”, retrucou um morador. “Cadê o prefeito nestas horas?”, questionou uma senhora. “Minha mãe está lá, sentada e em estado de nervos por conta disto, quem vai nos socorrer neste momento?”, acrescentou. “Toda vez que chove é a mesma coisa, nossas casas são invadidas, destroem nossos bens e levam embora nossa dignidade e nossa tranquilidade”, protesta.

Moradores relataram que o rio Alambari não chegou a transbordar, mas reclamaram da canalização parcial de um córrego que corta a cidade e desemboca no local. “Depois que fizeram esta obra aqui, não tivemos mais sossego. O certo é canalizar por inteiro, acredito que isto amenizaria o nosso problema”, avalia outro morador.

Há previsão de mais chuvas o que eleva ainda mais a tensão nos ribeirinhos. A Defesa Civil recomenda que em caso de novo temporal as pessoas devam deixar o local para evitar riscos a integridade física dos moradores.

Mais detalhes ao longo desta segunda-feira.