Beto admite encerrar carreira política e pode apoiar Bolsonaro

Da Redação Bem Paraná


Derrotado na eleição para o Senado, o ex-governador Beto Richa (PSDB) afirmou hoje que não descarta encerrar sua carreira política. Ele voltou a atribuir a derrota à sua prisão na operação Rádio Patrulha, que investiga suspeita de fraudes em licitações para obras em estradas rurais. Afirmou ainda ter sido vítima da “onda de mudança” que beneficiou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e seus aliados. Apesar disso, confirmou a intenção de apoiar Bolsonaro no segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

Richa teve 377.834 votos para o Senado, ou 3,73%, ficando com a sexta votação, atrás dos eleitos Professor Oriovisto (PODE) com 2.957.135 votos,  (29,17 %); Flavio Arns (REDE) com 2.331.696 (23%), Roberto Requião (MDB) com 1.528.204 (15,08%), o deputado federal Alex Canziani (PTB) com 1.304.600 (12,87%), e a ex-vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves (PT), com 599.878 (5,92%). Oriovisto e Arns foram eleitos, deixando tucano e Requião fora. 

“Eu acho que não só aqui, no Brasil inteiro, surpreendeu a todos. Teve uma grande onda de mudança. Nomes novos foram privilegiados nesta eleição. Muito voto também de protesto a tudo o que está aí, uma grande renovação. Eu analisando com muitas pessoas, a própria imprensa, não imaginava uma renovação tão grande”, considerou. “O PSDB teve um péssimo desempenho no Brasil inteiro. Até pelo desgaste de estar no poder por vários mandatos. Um grande onda de mudança no Brasil”, disse.

“A vida do político é assim mesmo, altos e baixos. Eu preparei o meu espírito para esse momento”, apontou, afirmando ainda ter sido abandonado por prefeitos e deputados. “Não tenho nenhuma mágoa de prefeito, de deputados. Muitos deputados, a imensa maioria também me abandonou. Muito menos do eleitor. Como é que eu vou reclamar se eu tive quatro eleições muito bem sucedidas. A prefeitura de Curitiba, governo do Estado”, disse. “E culminou com o governo pedindo para não me apoiar. Os prefeitos que foram muito beneficiados no meu governo. E culminou com essa operação que teve uma vasta notícia em todos os veículos de comunicação”, apontou o tucano. “Isso me arrebentou junto aos eleitores e as lideranças que me apoiavam. Eu fiquei praticamente sozinho”, afirmou o ex-governador. “Ali foi a pá de cal na minha candidatura”, considerou.

Richa admitiu ainda ter sofrido desgaste por causa do ajuste fiscal implantado em seu governo. Os fatores que eu reputo para essa nossa derrota. Dois mandatos. Dificilmente alguém sai bem no segundo mandato. O meu agravado pelo ajuste fiscal que gerou uma grande incompreensão. E isso me causou desgaste”, avaliou. “Estou muito tranquilo. Preparei meu espírito para esse momento. Vou analisar agora com serenidade. O benefício que eu tenho é que vou poder cuidar da minha vida. Só cuidei da vida dos paranaenses até então. Para frente vou avaliar que posicionamento posso tomar. Se continuo na política ou posso também avaliar a minha retirada da vida pública”, disse Richa.

O tucano confirmou a intenção de apoiar Bolsonaro no segundo turno. Mas disse que só vai oficializar sua posição após a reunião da Executiva Nacional do PSDB, que deve acontecer nos próximos dias. “Nós vamos agora esperar sentar a poeira. Estamos ainda com o resultado recém-anunciado. E ver o rumo que vamos tomar. Qual é intenção dos deputados eleitos, reeleitos ou não. As nossas lideranças, a Executiva Estadual. Ver qual será o caminho a ser seguido”, disse. “É a minha tendência (apoiar Bolsonaro). Só não quero anunciar agora em respeito às reuniões que estão para acontecer nos próximos dias”, explicou.