Beto Richa: a indignação de um homem ferido em sua honra

Ex-governador não questiona ser investigado, mas não aceita o que chama de “ilegalidades processuais”

Da Redação


Beto Richa diz que foi vítima de “ilegalidades processuais”
CRÉDITO: Arquivo

A tarde começava com o tempo prometendo chuva. Eram 14 horas quando Beto Richa, ex-governador do Paraná por duas vezes, ex-prefeito de Curitiba por igual período e, agora, candidato ao Senado pelo PSDB, recebeu a reportagem da Tribuna do Vale do lado de fora de seu escritório. Junto a ele vários assessores e amigos.

Beto mostrou-se um homem diferente. Abatido, bem mais magro, mas revelando nos olhos a energia do inconformado, a revolta do injustiçado, a indignação do homem ferido em sua honra. Em nenhum momento questionou o direito de ser investigado pelos Ministérios Públicos do Paraná e União, mas revoltado pela forma ultrajante e inconstitucional com que classifica a forma como os processos contra si vêm sendo conduzidos.

Quando fala da prisão da mulher, Fernanda, os músculos da face se contraem e ele solta impropérios, de pura revolta. Beto Richa conta que a esposa, herdeira dos antigos donos do extinto Banco Bamerindus, há mais de 20 anos resolveu fazer uma poupança, aplicando numa conta em banco estrangeiro, o equivalente a U$ 2 milhões. Isso no ano de 1997, quando a cotação da moeda norte-americana era equivalente ao real. Segundo ele, tudo feito na mais absoluta legalidade, declarado em imposto de renda, uma espécie de poupança para um futuro distante. Nesses mais de 20 anos sem mexer no dinheiro, o montante, com valorização cambial, mais juros, se transformou em cerca de R$ 11 milhões.

Esse dinheiro, agora, virou pesadelo na vida de Fernanda Richa. Presa junto com o marido e outras pessoas, ela está sendo acusada de evasão de divisas, mas não foi incluída na denúncia que o Ministério Público apresentou à Justiça. Beto Richa reconhece que a esposa está traumatizada. Vai ser difícil superar o choque da prisão.

O mesmo ele diz da mãe, Arlete Richa, que teve o apartamento invadido por suspeita de que ali estavam sendo guardadas quantias em dinheiro vivo. Beto conta que o motivo para a diligência seria que ele e o irmão, Pepe Richa, teriam sido vistos levando malas de dinheiro para o local. No cômodo onde estaria armazenada uma fortuna foi encontrado apenas o acervo pessoal do ex-governador José Richa, pai de Beto, falecido em dezembro de 2003 aos 69 anos.

Quanto às acusações no plano pessoal, Beto tem convicção que o objetivo único é impedir sua eleição para o Senado. Ele admite que o próprio Ministério Público Estadual (MPE) sabe que não existe nada que possa ligá-lo a alguma ação ilegal e admite estar de posse de informações que causariam um “terremoto institucional” no Paraná, mas prefere reservar-se, por enquanto.

Sobre a prisão do irmão, solto ontem junto com outros acusados, por ordem no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, ele manifesta indignação semelhante. Ele põe a mão no fogo por Pepe Richa, que vai provar sua inocência no momento oportuno.

Beto Richa deixa patente que sua vida jamais será à mesma, mas mostra energia para continuar lutando e acredita que será eleito no pleito deste domingo (07/10), contra tudo e contra todos. Mas resigna-se com o que Deus lhe proporcionar, mostrando uma espiritualidade surpreendente.

Concluindo ele diz que o sofrimento aproximou ainda mais a família, e que se queriam destruí-la, ao contrário, tornou a todos muito mais fortes, unidos no amor. “O ódio e a intolerância não vencerão!”, arremata.