Saúde

A ciência explica como tomamos decisões

Pode parecer que o mundo está voltando à normalidade, ainda assim temos nossas dúvidas. As emoções e sentimentos se contradizem, temo a tendência de desconfiarmos de tudo e todos. “A pandemia teve um impacto nas nossas vidas em geral, e em especialmente na nossa vida mental —o coronavírus gosta do sistema nervos alterado, tanto psicologicamente como em termos neurológicos”, observa António Damásio, professor de psicologia, filosofia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia e diretor do Instituto do Cérebro e da Criatividade. “A falta de preparação e recursos para combater contra as consequências do coronavírus, provoca um sentimento de humilhação e ansiedade em relação á tudo. Nossas rotinas, afazeres e itinerários foram interrompidos, consequentemente o processo de tomada de decisão é afetado”, segundo ele. O neurologista argumenta que os sentimentos são a pedra angular da nossa sobrevivência, e acontecem quando o cérebro interpreta as emoções, que são sinais do corpo reagindo a estímulos externos —o que nos ajuda a tomar decisões.

Somos governados por vários tipos de inteligência, que dependem de dois sistemas cognitivos: a primeira, baseia-se no raciocínio e na criatividade, depende da manipulação de padrões informativos explícitos. A segunda, a das emoções, é a da competência não explícita; é a variedade de inteligência da qual a maioria dos organismos vivos na terra dependeram.

“Na linguagem cotidiana, usamos os termos indistintamente, o que mostra como estas emoções estão estreitamente ligadas aos sentimentos”, diz ele. Para o português, “as emoções são reações fisiológicas complexas no corpo diante de determinados estímulos externos, por exemplo, quando temos medo, o coração acelera, a boca tende a ficar seca, os músculos se contraem; esta reação emocional se produz de forma automática e inconsciente. Já os sentimentos ocorrem depois que nos damos conta em nosso cérebro dessas mudanças físicas, e só então experimentamos o sentimento de medo”, segundo ele. Na neurofisionomia, o sistema límbico é responsável pelas emoções e memórias, a razão tem origem no neocórtex, e onde razão e emoção se juntam é no córtex pré-frontal.

Um conjunto de componentes cerebrais se encarrega de mapear as mudanças que ocorrem continuamente dentro do organismo; é conhecido como sistema nervoso interoceptivo (INS, na sigla em inglês). O INS contribui para a produção de sentimentos, quando o cérebro lê os mapas e se torna evidente que foram registradas mudanças emocionais no organismo. Esse mapeamento nem sempre é exato: o estresse, o medo ou a dor alteram a maneira como interpretamos a informação que chega ao cérebro vinda de outras partes do organismo. Segundo Damásio, tendemos a priorizar nosso eu racional quando se trata de tomar decisões; entretanto, as boas decisões são as que respondem às emoções geradas pelo nosso sistema interoceptivo. Damásio acrescenta: “Temos os processos regulatórios emocionais internos, que não só preservam nossas vidas como também, de fato, dão forma à criatividade.

Por Vivian Cury Lunardi, psicóloga, hipnoterapeuta e pesquisadora.

Mais conteúdo na página do Instagram @vivian_cury

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