
Da Assessoria
Entre os dias 30 de janeiro e 1 de fevereiro, o município de Jacarezinho esteve representado no TEIA/Fórum Cultura Viva Paraná 2026, no Campus Cedeteg da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava. A participação contou com a presença do Coletivo Toneladas de Maracatu (Maracatu Pedreira), através do professor Ilson de Oliveira Neto de Medeiros, levando ao encontro do evento a força da educação popular existente no Norte do Paraná.Promovido pela Secretaria do Estado da Cultura do Paraná (SEEC), o evento reuniu representantes de Pontos de Cultura de diversas regiões do estado, a fim de discutir e construir coletivamente diretrizes, políticas públicas e estratégias de fortalecimento da cultura popular paranaense. A participação de Jacarezinho evidencia a força das manifestações culturais presentes no município, reafirma o compromisso com a educação popular e amplia a projeção da potência cultural existente na cidade.Trazendo como temática central “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, o evento integrou o calendário do 5º Fórum Nacional de Pontos de Cultura (FNPDC), caminhando para a 6ª Teia Nacional, que ocorrerá em Aracruz, no Espírito Santo, entre os dias 24 a 29 de março de 2026. Para o professor Ilson, participar do evento significou compreender com mais profundidade a dimensão do trabalho realizado pelo coletivo. “Fazer parte de um projeto que contempla não só o Maracatu de Baque Virado, mas que tem como base a educação popular, a formação de professores, a pesquisa e a compreensão do território como espaço de ação política e cultural, nos trouxe uma dimensão muito interessante do que está sendo esse projeto”, pontua. “Ele acontece na periferia de Jacarezinho, que de certa forma também é uma periferia do Paraná, por ser o interior do interior, como costumo brincar. Ainda assim, conseguimos desenvolver discussões que são de nível nacional, pensando de que maneira a cultura interfere e ajuda a gerir os espaços de forma firme, inquietante e transformadora”, destacou o professor.

Durante o fórum, Ilson também participou da construção do regimento que orientará os próximos dez anos da Comissão Estadual de Cultura Viva, documento que subsidiará debates em âmbito nacional. “Grande parte do Paraná estava representada ali, e todas as problemáticas levantadas serão levadas para a Teia Nacional, em março. Estar em contato com tantas experiências, ouvir histórias e compartilhar o que fazemos em Jacarezinho me deu a certeza de que estamos no caminho certo, contribuindo com metas importantes, como a defesa climática e a diminuição das desigualdades”, afirmou.
O professor se colocou como candidato a delegado, inscrevendo-se também na categoria Pessoa com Deficiência (PCD), e foi eleito com 60 votos para representar o Paraná na etapa nacional. Ele destacou a importância da descentralização das políticas culturais, que muitas vezes ficam restritas às grandes cidades. “É preciso olhar para as macrorregiões e para municípios como Jacarezinho, que não podem ser tratados como extensão de grandes centros. Defender as cidades pequenas e os Pontos de Cultura ativos é pensar uma distribuição de recursos mais equitativa”, ressaltou.
Outro ponto central debatido foi a justiça climática. Segundo Ilson, os encaminhamentos discutidos envolvem estratégias de atuação dos Pontos de Cultura diante de possíveis desastres naturais. “Quando acontece um desastre, não são afetadas apenas as casas, mas também escolas, creches e espaços culturais. Discutimos qual é o papel da cultura nesses processos de readaptação e reorganização social”, pontua o professor.

O encontro também proporcionou articulações com povos de terreiro, grupos de maracatu, coletivos de hip-hop e outras expressões da cultura popular. “O interior produz muito: do samba ao rap, da poesia à dança. O nosso trabalho com o Maracatu tem como base a educação popular na periferia, na comunidade da Pedreira, em Jacarezinho, e houve uma admiração e reconhecimento muito grande pelo que estamos construindo. Isso fortalece nossa confiança e responsabilidade”, disse.
Para a etapa nacional, Ilson afirma que levará as demandas de territórios marcados pela desigualdade e reafirmou a potência cultural do Paraná. “O Paraná produz cultura viva, não apenas aquela associada a uma identidade sulista. Somos também fruto de movimentos afro-diaspóricos, de saberes que muitas vezes foram apagados. Estamos aqui para reacender essas memórias. Nós não somos apenas o Norte Pioneiro; somos o Nordeste do Paraná. Somos samba, capoeira, maracatu, rap, cultura de resistência, do corpo, do tambor e do terreiro”, enfatizou.
Ilson de Oliveira Neto de Medeiros é graduado em Filosofia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), mestrando em Educação Profissional pela mesma instituição e pós-graduando em Musicoterapia. Atua como arte-educador popular, percussionista e professor, com ênfase na percussão popular brasileira. É cofundador e articulador do Coletivo Toneladas de Maracatu (Maracatu Pedreira), desenvolvendo ações em educação popular, afro letramento e formação musical, além de elaborar e coordenar projetos culturais que articulam escola, comunidade e território.
SOBRE O COLETIVO
Criado em 2019, o Coletivo Toneladas de Maracatu atua na comunidade da Pedreira, em Jacarezinho. Desde 2022, o grupo realiza encontros semanais com crianças e adolescentes, utilizando a educação popular como ferramenta para construir um letramento sociorracial crítico, refletindo sobre o direito à cidade, a memória e a identidade, através dos batuques e da percussão.
Participam da iniciativa os educadores do Coletivo Toneladas de Maracatu: Ana Caroline Goulart, Antônio Donizeti Fernandes, Cleiton Ferraz Souza, Igor Caíque de Almeida Silva, Ilson de Oliveira Neto de Medeiros, Jorge Souza Fernandes, José Pereira da Paz, Laura Kloche Miter Breganholi, Liliane Milanezi Lopes, Marcelo Augusto Germano e Mariana Ponciano Ribeiro Rennó.



