Morte de idoso acamado expõe suposto plano entre esposa e amante no Norte Pioneiro

Crime chegou a ser tratado como latrocínio, mas investigação aponta que esposa teria planejado a morte de José Teixeira da Silva, de 77 anos; filha sabia do plano, segundo a polícia

Morte de idoso acamado expõe suposto plano entre esposa e amante no Norte Pioneiro
José Teixeira da Silva estava acamado quando foi morto a tiros na madrugada de sábado (21). Foto: Reprodução/G1 Paraná

DA REDAÇÃO – FOLHA EXTRA

BANDEIRANTES – A morte de um idoso de 77 anos dentro da própria casa, em Bandeirantes, no Norte Pioneiro, revelou uma trama que, segundo a Polícia Civil, teria sido planejada durante cerca de um mês. José Teixeira da Silva estava acamado quando foi morto a tiros na madrugada de sábado (21). O crime chegou a ser tratado como latrocínio, mas a investigação passou a apontar para um homicídio que teria sido articulado pela esposa da vítima e executado com a participação do amante dela.

A esposa de José, seu amante e a filha do casal, foram presos em flagrante. De acordo com a investigação, a filha sabia que o pai seria assassinado.

Nesta segunda-feira (23), a Justiça negou o pedido de liberdade dos três, que permanecem presos preventivamente por homicídio qualificado. A defesa afirma que as investigações ainda estão em andamento e contesta as circunstâncias em que os depoimentos foram obtidos.

A primeira história apresentada à polícia

Quando a Polícia Militar chegou à residência, José estava morto sobre a cama. Naquele dia, ele estava acamado e usava fraldas. A esposa relatou que havia levantado para beber água quando ouviu um disparo. Depois, teria ido prender o cachorro no quintal e, ao retornar, se deparado com dois desconhecidos deixando a casa com o carro da família.

Além do veículo, ela afirmou que dinheiro havia desaparecido da casa. O valor mencionado inicialmente seria de R$ 10 mil e, posteriormente, passou para R$ 15 mil.

O cenário levou o caso a ser tratado inicialmente como roubo seguido de morte. Conforme as apurações avançaram, entretanto, detalhes do relato começaram a chamar a atenção dos investigadores.

Contradições levaram polícia ao celular

Entre os pontos considerados inconsistentes estavam as diferentes versões dadas pela esposa sobre ter visto ou não os supostos invasores. A polícia também estranhou a dinâmica descrita para um roubo ocorrido enquanto José permanecia acamado.

A  investigação avançou sobre o celular da mulher. Segundo o delegado Michel Araújo, o conteúdo encontrado no aparelho, somado às contradições dos relatos anteriores, levou a polícia a confrontá-la novamente.

Foi durante esse novo depoimento que ela admitiu, segundo a Polícia Civil, ter participado do planejamento da morte do marido e apontou o amante como participante do crime.

A mulher contou à polícia que estava casada com José havia 28 anos e mantinha um relacionamento extraconjugal. Segundo seu depoimento, o assassinato começou a ser planejado cerca de um mês antes.

A motivação apresentada por ela envolve a filha. A esposa afirmou que José teria se recusado a pagar um tratamento de saúde para a filha, mesmo tendo condições financeiras para isso. Ela também relatou privações que, segundo sua versão, enfrentou durante o casamento.

No dia do homicídio, a esposa teria entregue a arma de José ao amante. Em seguida, prendeu o cachorro e saiu da residência. Depois do disparo, enviou uma mensagem para a filha com apenas uma informação: “Aconteceu”.

Filha admite que sabia

O depoimento da filha acrescentou outro elemento à investigação. Ela confirmou que tinha conhecimento da intenção da mãe de matar o pai e sabia também do relacionamento entre a mãe e o amante.

A jovem afirmou que chegou a pedir para a mãe não cometer o crime, mas não procurou a polícia nem impediu que o plano prosseguisse. Conforme seu relato, a mãe pediu que ela permanecesse em Londrina para não presenciar nem participar da ação.

A filha também descreveu o pai como controlador e violento e afirmou que ele negava cuidados básicos à família, incluindo alimentação e tratamento de saúde.

Na versão apresentada pela filha, a mãe deixou a porta aberta para o amante entrar. Ele teria usado uma arma pertencente a José para atirar contra o idoso e, depois, levado a carteira e o carro para criar a aparência de um roubo.

Amante nega execução

O homem apontado pela polícia como responsável por executar o plano nega ter matado José. Ele confirmou o relacionamento extraconjugal com a então esposa do idoso, mas afirmou que os dois estavam juntos havia seis meses. Em depoimento, disse ainda que chegou a conversar com ela sobre parar de trabalhar quando a mulher ficasse viúva.

Mesmo assim, sustentou que desconhecia qualquer plano para assassinar o idoso.

Segundo ele, no dia do crime, a mulher o encontrou em frente à casa e pediu apenas que ele escondesse a arma e levasse o veículo. Ele afirma que não entrou na residência e não efetuou o disparo.

A versão diverge da linha adotada pela Polícia Civil. Para os investigadores, a mulher teria preparado o assassinato durante aproximadamente um mês e solicitado ao amante que matasse o marido. O automóvel retirado da casa depois do crime foi posteriormente localizado abandonado em uma área de vegetação de Bandeirantes.

Três celulares, um revólver e dinheiro foram apreendidos durante as diligências.

Defesa questiona depoimentos

Os advogados Sivaldo Pires Bento e Bruno Cesar Carlota dos Santos, que atuam na defesa dos investigados, afirmam que não é possível considerar definitivas as conclusões apresentadas enquanto as investigações continuam.

A defesa questiona especialmente as declarações tratadas como confissões. Segundo os advogados, os depoimentos teriam ocorrido sob forte pressão psicológica, sem contato com a defesa e após aproximadamente sete horas de privação de água e alimentação.

Os defensores afirmaram ainda que continuarão colaborando com a Justiça para o esclarecimento dos fatos, mas ressaltaram que os investigados têm assegurados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

A investigação sobre a morte de José Teixeira da Silva continua sob responsabilidade da Polícia Civil.

Com informações de G1 Paraná.

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