Novos detalhes da investigação reafirmam castigos físicos e psicológicos contra acolhidos; denúncias indicam que práticas aconteciam há anos

Da Redação Folha Extra
IBAITI – Novos detalhes revelados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) expuseram detalhes fortes sobre a gravidade das denúncias que levaram à intervenção judicial na Casa Lar de Ibaiti, no Norte Pioneiro. Segundo Kamila Cristina Vanelli, promotora responsável pelo caso, crianças acolhidas na instituição eram submetidas a castigos físicos e psicológicos que incluíam ficar de cabeça para baixo em um varal, andar de joelhos na calçada e permanecer trancadas em um quarto escuro separado para os castigos.
As informações foram divulgadas durante entrevista ao programa Meio-Dia Paraná, da RPC, nesta sexta-feira (29).
De acordo com Kamila, as primeiras denúncias chegaram de forma anônima em setembro do ano passado, e relatavam situações de maus-tratos envolvendo gritos, puxões de cabelo e outras formas de violência. Posteriormente, novas denúncias também foram encaminhadas à Polícia Civil, ampliando a investigação, que durou meses.
Entre os relatos mais chocantes está a acusação de que algumas crianças eram colocadas de cabeça para baixo em um varal por cerca de 20 segundos como forma de punição. Os depoimentos também apontam que acolhidos eram obrigados a andar de joelhos na calçada, sofriam puxões de orelha e eram trancados sozinhos em um quarto escuro.
Segundo a Promotora, os castigos não seriam seriam episódios isolados. Os relatos coletados até agora indicam que as práticas aconteciam de forma recorrente e podem ter se estendido por vários anos.
“Não temos como precisar quando tudo começou, mas os depoimentos apontam que isso ocorre há muito tempo”, afirmou.
As investigações contam com depoimentos de crianças que atualmente vivem na instituição, ex-acolhidos e ex-funcionários. Além disso, imagens de câmeras de monitoramento e análises de celulares das responsáveis estariam reforçando as acusações.
O Ministério Público sustenta que a presidente da entidade e sua filha, que atuava na coordenação pedagógica, tinham conhecimento das situações denunciadas. Conforme a promotora, ambas acompanhavam a rotina da Casa Lar por meio de câmeras de segurança e teriam participação direta na definição dos castigos aplicados.
Outra denúncia revelada envolve a destinação de doações feitas pela comunidade. Segundo a investigação, brinquedos, roupas e outros itens recebidos pela instituição não estariam chegando às crianças acolhidas. A promotora afirmou ainda que o local sequer possuía um parquinho para uso dos menores.
Atualmente, as crianças permanecem na Casa Lar, mas sob responsabilidade de servidores selecionados pela Prefeitura de Ibaiti. Todas estão recebendo acompanhamento psicológico.
Enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações para definir as possíveis responsabilidades criminais das envolvidas, o futuro da instituição segue indefinido. Entre as possibilidades em análise está a municipalização da Casa Lar ou a adoção de um novo modelo de gestão para garantir a proteção dos acolhidos.



