Segundo evento da série de 11 contou com 349 participantes, entre presidentes de sindicatos rurais e produtores da região Oeste

Pela segunda vez, o município de Toledo, na região Oeste do Paraná, recebeu o Encontro Regional de Líderes Rurais, promovido pelo Sistema FAEP. O evento reuniu 349 participantes, entre presidentes de sindicatos rurais, lideranças do setor e produtores rurais, com o objetivo de debater a sucessão familiar no campo. Entre as centenas de presentes ligados a 17 sindicatos da região, 62% eram mulheres, seguindo a tendência observada no primeiro encontro, em Pato Branco, no último dia 26. A próxima reunião será em Campo Mourão (Vale do Ivaí), no dia 9 de junho.
“Esse problema da sucessão dentro da propriedade rural está presente em nossas famílias. Apesar do cenário preocupante, a boa notícia é que o Paraná e o Sistema FAEP estão adiantados neste tema, discutido há bastante tempo. Muitos produtores rurais já estão pensando nisso, como tenho visto e escutado durante as minhas andanças pelo Paraná”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Desde 2016, o Sistema FAEP conta com o curso Herdeiros do Campo, focado no planejamento futuro das propriedades rurais, promovendo reflexões a partir da realidade de cada família participante. Os técnicos, instrutores e consultores da entidade se reúnem com cada família para entender o perfil e iniciar a elaboração de um plano de sucessão. Esse treinamento permite que as gerações da família atuem de forma sinérgica e, a partir das discussões, desenvolvam um plano de ação que norteie a sucessão.
*O tema representatividade também fez parte das falas de abertura do evento. Líderes dos sindicatos rurais do Oeste destacaram a importância de o setor contar com representantes para garantir a continuidade da defesa da agropecuária paranaense.
“O produtor precisa ser mais ouvido pelo poder público. Precisamos de dirigentes que olhem para o agro, pois o setor está abandonado”, ressalta Nelson Gafuri, presidente do Sindicato Rural de Toledo.
“Precisamos trabalhar para ter um sistema sindical rural cada vez mais forte, com mais lideranças rurais. O setor é muito forte e grande no Paraná. É fundamental termos ainda mais representantes para as tomadas de decisões”, complementa Edio Luiz Chapla, presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon e do Núcleo de Sindicatos Rurais do Oeste do Paraná.
O deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, também presente no evento, reforçou a importância da representatividade para o setor. O político relatou parte dos embates e das conquistas que ocorrem em Brasília, na busca pela aprovação de leis em prol do setor rural. “Sozinho a gente não faz absolutamente nada. A FPA é o resultado deste movimento, e trabalha diariamente em defesa dos interesses dos produtores rurais”, afirma Lupion.
Protagonismo sindical
O lançamento do terceiro ciclo do projeto Sindicato Protagonista também ocorreu no evento de Toledo. A edição 2026/27 conta com mudanças como o aumento da bonificação financeira, que passou de R$ 5 mil para R$ 7 mil, a inclusão de quatro novos indicadores de desempenho e a obrigatoriedade de pontuação no Planejamento Estratégico de Mobilização (PEM). As entidades interessadas têm até dia 17 de julho para efetivar a inscrição. O regulamento está disponível no site do Sistema FAEP (www.sistemafaep.org.br).
No segundo ciclo (2025/26), 105 sindicatos participaram, 35 a mais que no primeiro (2024/25). O resultado do projeto também é visível no crescimento do número de associados, que saltou de 11.812 para 14.511 (23%). “Esses resultados são fruto do trabalho de todos os elos dentro do sindicato rural, desde o colaborador até o presidente. Cada vez mais precisamos de nossas entidades fortes e atuantes para atender os produtores rurais da região”, destaca João Lázaro Pires, gerente do Departamento de Relações Sindicais do Sistema FAEP.
Sucessão em foco
O encerramento do evento contou com a palestra da especialista Mariely Biff sobre a importância da sucessão de forma planejada. Esse processo precisa ocorrer em etapas, envolvendo todas as gerações para formar uma sociedade.
“Quando as famílias não se sentam à mesa para conversar, para alinhar as expectativas, não há sucessão que dê certo. É preciso conversar sobre o futuro e os negócios. É preciso começar uma organização a partir do diálogo”, afirma Mariely.
Os números do setor confirmam a necessidade do planejamento da sucessão. Somente 10% dos negócios chegam na terceira geração, devido à falta de preparo. Ainda, 60% dos negócios rurais não sobrevivem aos conflitos familiares. O cenário fica ainda mais complicado uma vez que apenas 15% das propriedades têm plano de sucessão.
Próximos encontros
Depois de Pato Branco e Toledo, o roteiro de encontros regionais segue, em junho, para Campo Mourão (Vale do Ivaí), no dia 9; Mariluz (Entre Rios), no dia 10; Nova Esperança (Noroeste), 11; Arapoti (Campos Gerais), 16; Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), 17; e Londrina (Norte), no dia 18. Em julho, o encontro acontece em Guarapuava (Centro), no dia 7; Bituruna (Centro-Sul), 8; e Lapa (Região Metropolitana de Curitiba), no dia 9.



