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Planejamento e gestão garantem eficiência em fazendas de pecuária de corte

Segundo especialista, pecuaristas precisam focar em manejo, tecnologias e mão de obra qualificada

Nos próximos anos, a gestão e o planejamento vão fazer a diferença no resultado das fazendas de pecuárias de corte. Ainda mais em uma atividade que o desempenho é influenciado pelas oscilações de mercado. Esse tema esteve na pauta da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, no dia 30 de março.

“Temos potencial grande quando se trata de pecuária de corte do Paraná, apesar das adversidades impostas, muitas pelo Governo Federal. Por isso, o Sistema FAEP segue trabalhando para proteger os interesses do setor produtivo”, ressalta o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette. “Esse ano é de recuperação, retomada, especificamente na produção dos bezerros. Hoje, o Brasil é o único país com capacidade de exportação para o mundo, à frente dos EUA”, reforça Rodolpho Luiz Werneck Botelho, presidente da Comissão Técnica.

Para orientar os pecuaristas, o consultor técnico do Programa Boi na Terra do Soja, do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), Gustavo Haruo, realizou a palestra “Além do preço da arroba: o papel da gestão da fazenda no cenário da pecuária atual”, destacando a importância da gestão nas propriedades rurais, a fim de minimizar custos, reduzir desperdícios e pensar a longo prazo, com inteligência.

“O pecuarista que adota uma gestão interna eficiente aproveita as oportunidades do mercado e, mesmo nos momentos de baixa, consegue manter margens sólidas e sustentáveis”, destaca Haruo.

Na década de 1970, por exemplo, o modelo extrativista funcionava com baixo investimento e gestão, “bastava soltar o boi no pasto e esperar”. Hoje, o cenário é outro. Estimativas indicam que até 50% das fazendas de pecuária podem encerrar as atividades por falta de adaptação às novas exigências do setor dentro de 20 anos. Ou seja, segundo Haruo, o modelo extrativista, predominante no passado, já não responde às demandas atuais, com margens cada vez mais apertadas, pressão de arrendamento para outras atividades e propriedades gigantescas imobilizadas sem retorno.

Para o consultor, esse quadro ainda pode ser revertido com mudanças estruturais na forma de conduzir o negócio. “Gestão é entender a situação atual da fazenda, identificar seu potencial produtivo e traçar um caminho claro de evolução, com metas e prazos definidos”, afirma.

Entre os principais fatores que determinam o desempenho das fazendas estão o ganho médio diário (GMD), que define o giro de estoque da fazenda; a taxa de lotação, que exige planejamento para evitar degradação das pastagens; o desembolso por cabeça e o valor médio de venda. Este último influenciado pelo mercado, sendo possível fazer uma gestão de crise por meio de ferramentas como travas de preço, reposição e trava de insumos.

No campo produtivo, o manejo de pastagens é o elemento central. Já a gestão envolve projeto, execução e monitoramento constante da fazenda, funcionando como eixo integrador, responsável por direcionar o uso eficiente das tecnologias. Por fim, o fator humano ganha destaque: equipes qualificadas e bem remuneradas estão diretamente associadas aos melhores resultados.

“Os próximos anos serão fortes na pecuária de corte. Por isso é necessário planejamento, ainda mais pensando no contexto da guerra no Oriente Médio”, complementa Botelho.

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