Categoria decidiu pela continuidade da pressão para seguir avançando nas tratativas com o governo sobre as reivindicações da campanha salarial
APP – Sindicato
Professores(as) e funcionários(as) de escola do Paraná, reunidos(as) em assembleia estadual extraordinária on-line convocada pela APP-Sindicato, na manhã deste sábado (21), suspenderam o início da greve prevista para começar nesta segunda-feira (23) e aprovaram a manutenção de estado de greve e a continuidade das mobilizações nos próximos dias. A decisão ocorre após a pressão realizada pela categoria resultar em avanços nas negociações com o governo sobre os itens da campanha salarial deste ano.

“Arrancamos do governo a instalação de mesas de negociação e a confirmação de que propostas para os itens centrais da nossa pauta serão encaminhadas para votação dos deputados até o dia 4 de abril. Avaliamos que é um avanço importante, fruto da luta intensa que estamos fazendo por justiça salarial. Por isso, estamos suspendendo o início da greve, mas mantendo o estado de greve e as mobilizações para continuar a pressão, pois as tratativas ainda estão em andamento sobre o conteúdo que o governo vai anunciar oficialmente”, explica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
Com a decisão, a dirigente explica que a diretoria estadual do sindicato está autorizada a convocar nova assembleia a qualquer tempo, se for necessário e caso o governo não cumpra as declarações que foram anunciadas até o momento. Walkiria informou que novas reuniões estão previstas na próxima semana com a Casa Civil.Também convocou a categoria a participar da Vigília por Justiça Salarial, na segunda (23) e terça-feira (24), na Assembleia Legislativa do Paraná.
Na centralidade da pauta, os(as) educadores(as) reivindicam a reposição anual das perdas da inflação (data-base) para todos(as) educadores(as) da ativa e aposentados(as), reforma da carreira do magistério com equiparação salarial e correção das tabelas salariais e enquadramento por tempo de serviço da carreira dos(as) funcionários(as) de escola, além de, para os(as) aposentados(as), reposição salarial para todos(as), aprovação de lei que garanta correção específica os(as) sem paridade e fixação do desconto previdenciário somente para os valores acima do teto do INSS (R$ 8.475,54).
O pagamento de promoções e progressões, o descongelamento de quinquênios e anuênios congelados pelo governo Bolsonaro, durante a pandemia da Covid-19, também integram a lista de prioridades reivindicadas pelos(as) servidores(as). As pautas da Campanha Salarial 2026 e o calendário de mobilizações foram aprovados pelos(as) educadores(as) em assembleia estadual realizada no dia 7 de fevereiro deste ano.

Data-base
Sobre os itens da pauta, a presidenta destacou que a data-base sempre é um dos itens mais importantes da campanha salarial, pois beneficia todo o conjunto dos(as) trabalhadores(as), inclusive os(as) aposentados(as) sem paridade, grupo esse composto por cerca de 15 mil servidores(as), só na Educação, que estão sem reajuste há anos.
Sobre essa demanda, ela explicou que o governo anunciou que haverá pagamento da data-base, mas ainda não definiu o índice. O tema permanece em debate na mesa de negociação. A reivindicação é de que o percentual seja maior do que a inflação acumulada nos últimos 12 meses e que a administração assuma compromisso de pagamento da dívida dos anos anteriores.
Professores(as)
Com um dos menores salários do país, segundo estudo do Movimento Profissão Docente, os(as) professores(as) do Paraná reivindicam que a tabela salarial seja equiparada a aplicada pelo governo aos(às) demais servidores(as) com exigência de ensino superior e também reformulação da carreira para destravar o avanço de docentes que não têm acesso ao Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE).
Sobre essas reivindicações, Walkiria destacou que a pressão dos(as) educadores(as) obrigou o governo a incluir esse tema na mesa de negociações e afirmar que vai encaminhar para votação projeto de lei tratando do salário do magistério. “Nós já apresentamos a nossa proposta. Então, agora, a gente abre esta etapa de discutir a contraproposta do governo”, relata.
Funcionários(as)
Para os(as) funcionários(as) de escola, a presidenta informou que a reformulação da carreira dos(as) Agente I está bastante avançada e deve ser anunciada pelo governo na próxima semana. Segundo Walkiria, a Seed deu parecer contrário, mas recebeu ordem do governo para reformular o relatório. Quanto à tabela do Agente II, explicou que o tema ainda está na Seed, porque ainda não houve concordância da secretaria em defender essa pauta.
Também está parada na Seed a reivindicação de enquadramento por tempo de serviço. “Estamos pedindo nova mesa para debater este tema, para corrigir as injustiças e distorções. “A nossa luta ainda está na Seed, por isso precisamos manter a pressão no secretário, porque a demanda precisa sair de lá para tramitar dentro do governo”, explica Walkiria.
Aposentados(as)
Para os(as) aposentados(as), além da confirmação de que haverá pagamento de reposição salarial das perdas da inflação para todos(as), segue em debate com o governo a proposta de aprovação de uma lei para corrigir os salários dos(as) aposentados(as) sem paridade quando não houver pagamento de data-base.
Para esse item, Walkiria explica que há o entendimento da Procuradoria Geral do Estado que a lei pode ser aprovada depois do dia 4 de abril. Sobre a redução do desconto previdenciário, informou que o governo tem manifestado contrariedade à pauta, mas que o tema está no STF, com julgamento interrompido e placar atualmente favorável aos(às) aposentados(as).
Descongela e promoções e progressões
Também já foi anunciado pelo governo que serão atendidas as reivindicações de descongelamento dos quinquênios e anuênios e de pagamento das promoções e progressões. Essas pautas estão sendo tratadas também no âmbito do Fórum das Entidades Sindicais (FES), que tem reuniões previstas para debater como essas medidas serão implementadas.
Avaliações
Após os informes e os debates realizados pelos(as) participantes, a secretária Geral da APP-Sindicato, Natália dos Santos Silva, e a secretária de Promoção de Igualdade Racial e Combate ao Racismo da APP-Sindicato, Celina do Carmo da Silva Wotcoski, integrantes da mesa de trabalhos da assembleia on-line, também fizeram avaliações sobre as discussões e decisões tomadas pela categoria.
“Foi muito bom esse debate e poder reorganizar nosso calendário de luta com todos e todas. Segunda-feira nós estaremos acolhendo vocês a partir das 13 horas lá na Assembleia Legislativa. Isso é fundamental, que nós possamos fazer um grupo forte de vigília lá dentro da Assembleia Legislativa. Então contamos com todos vocês e, com essa assembleia, fechamos com as nossas energias coletivas fortalecidas para continuar essa luta”, comentou Natália.
“Quero agradecer a cada um e cada uma que esteve com a gente fortalecendo o debate, acolhendo essa luta, as proposições que foram trazidas do nosso Conselho Estadual e tirando o encaminhamento de que estaremos mobilizados dentro das escolas, na luta por justiça salarial e com toda a disposição para fazer a luta por nossos direitos, porque só a luta dignifica os trabalhadores e trabalhadoras da educação”, disse Celina.
Deliberações da reinstalação da Assembleia Estadual
21 de março de 2026
– Suspensão da greve a partir do dia 23/03 e instalação do estado de greve.
– Vigilância e monitoramento para que os projetos entrem na Alep nos próximos dias. Dias 23 e 24/03: acompanhar os trabalhos na Alep e ida aos gabinetes dos/as deputados/as.
– Manutenção da recepção ao governador, secretário e deputados/as nas regiões, com entrega de documento sobre nossa campanha salarial.
– Reunião com deputadas(os), lideranças locais e Câmaras Municipais nas regiões para apoio à aprovação dos itens da pauta, em especial da equiparação e da data-base;
– Utilização dos veículos de comunicação regionais para expor nossa luta e reivindicações.



