
Por Ivo Peron
O nervosismo raramente nasce do nada. Ele é, quase sempre, um sintoma. Um sinal de que algo está fora de lugar no campo emocional, mental, espiritual, familiar ou amoroso. Tratar apenas a reação é ignorar a causa.
Do ponto de vista espiritual, muitos indivíduos hoje vivem uma sensibilidade ampliada. A mediunidade aflora, a percepção energética aumenta, mas falta orientação. Sem compreender o que sente, a pessoa passa a absorver emoções do ambiente, das pessoas e das situações. Torna-se a chamada “esponja emocional”. O resultado é irritação constante, cansaço profundo e explosões que parecem desproporcionais. Não é fraqueza; é falta de leitura do próprio campo.
No plano amoroso, o nervosismo costuma aparecer quando o indivíduo não ocupa o seu papel. Relações desalinhadas onde há dependência, cobrança silenciosa ou ausência de presença geram tensão interna. A irritação não é contra o outro; é contra a própria desconexão. Quando não se está inteiro no vínculo, o corpo reage.
Na vida profissional, o quadro se agrava quando há desalinhamento entre esforço e resultado. Trabalhar sem sentido, sem reconhecimento interno ou sem propósito produz desânimo. O desânimo, quando não é reconhecido, se transforma em impaciência. A raiva passa a ser a linguagem de uma frustração não verbalizada.
Há ainda os traumas e gatilhos que acompanham o indivíduo desde cedo muitos desde o ventre materno. Emoções não compreendidas, medos herdados, tensões vividas pela mãe durante a gestação deixam registros. No cotidiano, esses registros despertam sensações sem nome: aperto, irritação, urgência. O corpo lembra o que a mente não acessa.
Frustrações, perdas, mágoas acumuladas e o sentimento de não merecimento criam um vazio interno. E o vazio cobra. Quando nada preenche, a raiva aparece como tentativa de defesa. Não é força; é dor sem tradução.
O quadro se agrava quando, nesse estado, o indivíduo busca compensações inconscientes: álcool, drogas, pornografia, excesso de estímulos. São anestesias momentâneas. Depois, o nervosismo retorna mais forte, porque a causa segue intacta.
Com o tempo, muitos perdem a própria identidade. Entram no automático do sentir dor e reagir com irritação. Confundem personalidade com defesa. Passam a se definir pelo nervosismo, quando, na verdade, estão pedindo reorganização.
A saída não está em reprimir a raiva, mas em compreendê-la. Nervosismo pede leitura do campo espiritual, ajuste emocional, reposicionamento familiar e alinhamento amoroso e profissional. Quando cada área volta ao seu lugar, o corpo relaxa, a mente silencia e a alma encontra direção.
A calma não é ausência de problemas. É presença de sentido.
E sentido organiza tudo.
—
Ivo Peron
Especialista em Saúde Emocional
Hipnoterapeuta | Professor de Hipnose | Palestrante
Redes sociais: @peronhipnoterapia
Contato: contato@ivoperon.com.br