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Itaipu debate acordo Mercosul-União Europeia no Show Rural e destaca agenda para a agricultura

Crédito das fotos: William Brisida/Itaipu Binacional.

Evento indicou as oportunidades do tratado para o setor e destacou o papel do cooperativismo e da agricultura familiar

O Acordo Mercosul-União Europeia esteve no centro dos debates do primeiro dia do Show Rural Coopavel 2026, uma das maiores feiras do agronegócio brasileiro, que acontece de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel-PR. O tema foi aprofundado na Mesa de Diálogo “Acordo Mercosul – Perspectivas e Oportunidades”, promovida pela Itaipu Binacional e pelo Governo do Brasil, em parceria com a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel) e o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Sistema Ocepar), nesta segunda-feira (9).

O evento reuniu autoridades governamentais, lideranças do cooperativismo e especialistas em comércio internacional para discutir impactos, desafios e oportunidades gerados pelo tratado bilateral.

Participaram do painel o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri; a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiavelli; o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli; o superintendente do Sistema Ocepar, Robson Leandro Mafioletti; e a doutora em Relações Internacionais e servidora de carreira do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres. A mediação foi de Gisele Ricobom, assistente do diretor-geral brasileiro da Itaipu.

Fruto de mais de duas décadas de negociações, o tratado integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo, somando mais de 700 milhões de habitantes e um PIB conjunto de aproximadamente US$ 22 trilhões. Trata-se do maior acordo comercial já firmado pelo Mercosul e de um dos mais relevantes celebrados pela União Europeia, com previsão de eliminação ou redução de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral, além do estabelecimento de regras comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Ao abordar os impactos do acordo para o Oeste do Paraná, Enio Verri destacou o potencial transformador para o agronegócio regional. “O acordo com a União Europeia é um sonho de mais de 20 anos, que pode mudar todo o cenário mundial dos negócios, em especial do agronegócio e, particularmente, do Oeste do Paraná. A região é muito rica na produção agrícola e na suinocultura, setores que têm grande demanda por parte da União Europeia”, afirmou, acrescentando o papel estratégico da parceria com o bloco estrangeiro. “A União Europeia é o nosso segundo maior consumidor, atrás apenas da China. Mas é um mercado que impõe muitas exigências, desde o uso racional da água, os métodos de produção e de abate, até o cumprimento rigoroso dos prazos de entrega. Por isso, o tempo e a infraestrutura são fundamentais”, explicou.

Nesse contexto, Verri mencionou a atuação da Binacional no fortalecimento das condições necessárias para ampliar a competitividade da produção regional. “A Itaipu tem sido fundamental ao investir em infraestrutura, como o asfaltamento de estradas rurais, parcerias com prefeituras para geração de energia solar, reduzindo assim os custos de produção. Também atuamos na melhoria da qualidade da água e no apoio à agricultura familiar, que será uma grande parceira desse processo, oferecendo assistência técnica, novas tecnologias e financiamento de equipamentos. Tudo isso contribui para deixar o agronegócio do Oeste do Paraná pronto, como está hoje, para atender às exigências e garantir as entregas que esse acordo vai impor a partir de agora”, concluiu.

Acordo estratégico para o Brasil e o Paraná
Responsável por detalhar os aspectos técnicos do tratado, Tatiana Prazeres, do MDIC, afirmou que o acordo Mercosul-União Europeia amplia de forma significativa o acesso do Brasil a um mercado exigente e de alto poder de consumo. “É um acordo que finalmente foi viabilizado e que abre oportunidades concretas para a indústria, para o agronegócio e para a inserção do Brasil em cadeias globais de valor”, afirmou.

Segundo ela, mais de cinco mil produtos brasileiros terão tarifas eliminadas no mercado europeu assim que o tratado entrar em vigor, enquanto a abertura do mercado brasileiro ocorrerá de forma gradual. “Nós trabalhamos para que a redução das tarifas no Brasil fosse mais lenta do que no bloco europeu, justamente para permitir planejamento e adaptação do setor produtivo”, explicou.

“Esse acordo também faz sentido do ponto de vista da sustentabilidade. Ele traz compromissos nessa área e reflete a visão do governo brasileiro sobre a proteção ambiental, o combate ao desmatamento e a valorização das energias renováveis. O Brasil, que é uma potência nesse setor, tem no acordo o reconhecimento do perfil da sua produção, marcada pelo uso de energias mais limpas, mas que precisam continuar avançando”, observou.

Tatiana destacou ainda a importância do acordo para o Paraná, um dos estados com maior vocação exportadora do país, e defendeu a capacitação para o aproveitamento dos benefícios previstos. “Para que essas oportunidades se transformem em negócios reais, é fundamental que produtores e empresas conheçam os termos do acordo e saibam como acessar o mercado europeu”, concluiu.

Ao final, propôs a realização de workshops técnicos para aprofundar o conhecimento sobre tarifas, regras sanitárias e oportunidades específicas por produto.

Cooperativismo como estratégia de desenvolvimento
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, argumentou que o Brasil precisa avançar de forma estruturada na exportação de produtos com maior valor adicionado, deixando de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas. Ao apresentar dados da balança comercial positiva do agronegócio, destacou a competitividade brasileira no mercado internacional e reforçou que a transformação de insumos em produtos aumenta a capacidade de geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
Segundo ele, o desafio passa pela ampliação do diálogo institucional e comercial, envolvendo governo, cooperativas e atores externos, a fim de fortalecer cadeias produtivas e abrir espaço para produtos industrializados.

Na mesma linha, o superintendente do Sistema Ocepar, Robson Leandro Mafioletti, colocou o cooperativismo como propulsor do desenvolvimento no Paraná. Ele ressaltou que a força das cooperativas está na organização coletiva de pequenos e médios produtores, que, mesmo com propriedades reduzidas, conseguem acessar mercados globais, agregar valor à produção e gerar impactos econômicos expressivos.

Mafioletti enfatizou que o sistema cooperativo paranaense responde por parcela significativa da produção de grãos, carnes e agroindústrias do país, além de manter milhares de empregos diretos. Para ele, o sucesso do modelo está no planejamento de longo prazo, no investimento constante em novos empreendimentos e na distribuição dos resultados aos cooperados, garantindo desenvolvimento regional e inclusão produtiva.

Proteção à agricultura familiar e novas oportunidades
A secretária executiva do MDA, Fernanda Machiavelli, apresentou a perspectiva da agricultura familiar no acordo, destacando que o setor passou a integrar ativamente as negociações em 2023, a partir da recriação do ministério, no atual governo.

Ela explicou que o Brasil conseguiu proteger mercados estratégicos para a agricultura familiar, como compras públicas de alimentação escolar e programas de aquisição direta de alimentos, que permanecem reservados à produção nacional. Produtos sensíveis à agricultura familiar, especialmente no setor de lácteos, também foram excluídos da abertura comercial plena. “Ao mesmo tempo em que abrimos oportunidades para alcançar os mercados europeus, também protegemos, dentro do que foi possível, a produção nacional, garantindo que o alimento que chega às mesas das famílias brasileiras continue vindo das mãos de homens e mulheres que trabalham no nosso campo, debaixo do sol e da chuva. São eles que asseguram a fartura, a diversidade e a comida saudável para as nossas famílias”, afirmou.

Fernanda ainda destacou as oportunidades para cooperativas da agricultura familiar na exportação de frutas, café industrializado e outros produtos com maior valor agregado.

O debate com especialistas promovido pela Itaipu e pelo Governo do Brasil no Show Rural deixou claro que a capacidade de organização das cadeias produtivas, a inovação, a sustentabilidade e o fortalecimento de parcerias entre poder público, cooperativas e agricultores serão fundamentais para o setor avançar com o advento do acordo internacional.

O encontro contou ainda com as presenças do diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni; do diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo; do diretor de Negócios e Empreendedorismo do Itaipu Parquetec, Eduardo de Miranda; e do coordenador geral do Show Rural, Rogério Rizzardi.

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