
Por Redação Especial — Energia e Infraestrutura
Em empreendimentos que dependem de água quente em volume como hotéis, motéis, clubes, academias ou espaços de lazer com piscinas um item que costuma parecer trivial pode representar uma fatia significativa do custo operacional: o aquecimento da água.
Apesar de passar muitas vezes despercebido, essa área concentra consumo de energia contínuo e impacto financeiro relevante no dia a dia de quem opera instalações de grande porte.
Nesta reportagem, reunimos dados reais, explicações técnicas e soluções práticas para entender:
- Quanto custa de fato aquecer água?
- Quais os tipos de equipamentos disponíveis?
- Onde estão os pontos de desperdício?
- Como a engenharia aplicada pode gerar economia real?
1. Quanto pesa o aquecimento de água nas contas de energia?
Segundo relatórios de eficiência energética e auditorias técnicas em instalações comerciais e residenciais no Brasil, a produção de água quente representa:
20% a 30% do consumo total de energia elétrica em hotéis e empreendimentos similares, ficando atrás apenas da climatização de ambientes (ar‐condicionado e aquecimento).
Fonte: dados compilados por associações de engenharia termodinâmica e universidades técnicas da área hoteleira.
Esse percentual não é um número abstrato ele aparece em medições reais de consumo energético, auditadas em empreendimentos que fizeram controle direto de cargas.
Quando o uso inclui piscinas aquecidas, banheiras de hidromassagem e grandes blocos de chuveiros simultâneos, o peso sobe ainda mais, podendo chegar a:
35% ou mais do custo de energia total.
Isso significa que, em um hotel com conta mensal de energia de R$ 50.000, cerca de R$ 10.000 a R$ 17.500 podem estar associados apenas ao aquecimento de água.
2. Quais são os principais tipos de sistemas de aquecimento de água?
A tecnologia para aquecer água em larga escala evoluiu ao longo das últimas décadas. Os principais sistemas atualmente utilizados são:
• Aquecimento a Gás (GLP ou Natural)
- Sistema tradicional e amplamente usado.
- Eficiência energética típica: 60% a 90%, dependendo do modelo e da manutenção.
- Custos operacionais impactados pelo preço do combustível e perdas térmicas.
- Em muitos cenários, gera custos elevados sem ganhos de eficiência proporcionais.
• Aquecimento Elétrico Convencional
- Resistência elétrica direta (boilers).
- Simplicidade de instalação.
- Eficiência próxima de 99% (converte quase toda energia elétrica em calor),
mas possui custo operacional elevado devido ao preço da eletricidade.
• Bombas de Calor (Aerotérmicas)
- Tecnologia moderna que extrai calor do ar ambiente para aquecer água.
- Pode alcançar coeficiente de desempenho (COP) de 3 a 4,
o que significa que para cada 1 kWh consumido, gera até 3 a 4 kWh térmicos. - Em termos práticos, pode reduzir o gasto energético do aquecimento em até 60% a 70% em comparação com sistemas elétricos ou a gás em muitos cenários.
• Aquecimento Solar Térmico
- Utiliza coletores solares (painéis térmicos ou tubos a vácuo) para aproveitar calor direto do sol.
- Em condições ideais de insolação, pode reduzir drasticamente a demanda de energia auxiliar.
- O sistema depende de projeto e instalação adequados para operar com eficiência.
• Biomassa e Pellets
- Alternativa com uso de combustíveis sólidos renováveis.
- Pode entregar eficiência superior a 85% com menor emissão de gases poluentes.
- Ideal para quem busca combinação de autonomia energética e sustentabilidade.
3. Onde está o desperdício mais comum?
Muitos gestores acreditam que simplesmente “mudar a fonte de energia” irá resolver o problema. Mas a verdade é outra:
O desperdício real está na ausência de engenharia aplicada ao projeto.
Equipamentos subdimensionados, sistemas mal instalados e falta de estratégia de controle térmico geram contas energéticas elevadas independentemente da tecnologia escolhida.
Um exemplo clássico é o uso de aquecedores solares sem um cálculo térmico adequado:
sem análise de demanda, posicionamento dos coletores e integração com sistemas auxiliares, o desempenho pode cair a níveis em que a economia desejada nunca se materializa.
Outro exemplo é a escolha de bombas de calor “convencionais” em regiões mais frias ou em locais onde o sistema de ventilação não é projetado corretamente, o que acaba elevando o consumo em vez de reduzi-lo.
4. Solução especializada: a visão do engenheiro César Augusto R. Debona
Para esclarecer os pontos mais críticos e mostrar caminhos práticos, entrevistamos o engenheiro César Augusto R. Debona, especialista em eficiência energética. A seguir, perguntas e respostas que resumem o essencial do que todo gestor deve saber:
PERGUNTA 1 — Quais são os erros mais comuns na escolha de um sistema de aquecimento de água?
RESPOSTA:
“O primeiro erro é confundir preço baixo com economia real.
Uma instalação solar mal projetada ou barata pode simplesmente não entregar o desempenho necessário.
Outro erro é adquirir bombas de calor que não são inverter ou que não foram dimensionadas para o clima, o que reduz a eficiência.
E muitos ainda usam sistemas a gás antigos que têm perdas térmicas significativas.”
PERGUNTA 2 — Quando um sistema moderno é mais vantajoso que um sistema tradicional a gás?
RESPOSTA:
“Em operações contínuas de água quente como hotéis com alta ocupação ou piscinas aquecidas sistemas com bomba de calor ou aquecimento solar bem projetados podem reduzir os custos operacionais em até 60% a 70% em comparação com aquecedores a gás tradicionais.”
PERGUNTA 3 — O que a engenharia aplicada muda no resultado final?
RESPOSTA:
“Tudo. A engenharia aplicada garante que o sistema seja dimensionado à demanda real, com cálculos de perda térmica, integração de tecnologias e estratégia de controle. Sem isso, qualquer tecnologia, por mais moderna que seja, pode operar abaixo do esperado.”
PERGUNTA 4 — Quais passos um gestor deve seguir para reduzir de fato os custos de aquecimento?
RESPOSTA:
“Primeiro, medir consumo atual e demanda térmica real.
Depois, analisar alternativas tecnológicas com base em COP, custos de energia locais e clima.
Por fim, elaborar um projeto técnico de integração, ajuste de isolamento térmico e monitoramento contínuo.”
Conclusão
O aquecimento de água não é um custo isolado ou trivial.
Ele é um dos maiores consumidores de energia em empreendimentos com grande demanda.
Dados reais comprovam que:
✔ Sistemas mal planejados podem manter custos altos por anos.
✔ Tecnologias como bombas de calor e aquecimento solar apresentam potencial de redução de até 60–70% no gasto energético.
✔ A diferença entre despesa elevada e economia real está na engenharia correta, no dimensionamento e na instalação profissional.
Tomar decisões técnicas e não apenas comerciais sobre aquecimento de água hoje pode representar economia relevante, vantagem competitiva e sustentabilidade para o seu negócio no longo prazo.
César A. R. Debona é engenheiro especialista em eficiência energética, com atuação voltada à análise técnica, projeto e otimização de sistemas de aquecimento de água em empreendimentos de alto consumo, como hotéis, motéis, clubes e indústrias.
Contato: (46) 99141-0124 • Instagram: instagram.com/engenheiro_verde



