
Por Ivo Peron
O Brasil não está apenas politicamente dividido. Ele está psicologicamente fraturado. A polarização entre esquerda e direita é o sintoma visível de algo mais profundo: dois modelos mentais de liderança, dois tipos de relação com o poder e, sobretudo, duas formas muito diferentes de manipular ou abandonar a consciência coletiva.
Este artigo não é um manifesto partidário. É uma análise comportamental e psicológica de líderes reais, observados à luz do que a história, a clínica humana e a lógica do poder sempre ensinaram: quem domina a narrativa, governa a mente; quem falha no enfrentamento, perde o comando da realidade.
A esquerda e o arquétipo do manipulador convicto
Para compreender a esquerda brasileira contemporânea, é inevitável analisar seu maior expoente: Luiz Inácio Lula da Silva. Não por paixão ou repulsa, mas por método. Lula não é um líder comum ele opera dentro de um arquétipo psicológico muito específico: o manipulador convicto.
Quatro características o diferenciam de forma clara:
- A mentira acreditada com fé absoluta
Lula não apenas constrói narrativas questionáveis ele acredita nelas. Esse detalhe é crucial. A psicologia mostra que quem acredita profundamente na própria versão da realidade transmite convicção emocional, e convicção é mais persuasiva que verdade. O povo não segue fatos; segue certezas aparentes. - A blindagem do grupo
No universo lulista, alianças não são circunstanciais, são pactos. “Ninguém solta a mão de ninguém” não é poesia política; é estratégia de sobrevivência. Benefícios são distribuídos, culpas são diluídas e o sistema se fecha como um organismo que se protege de anticorpos externos imprensa crítica, Justiça ou opinião pública. - O discurso sob medida para o desejo popular
A esquerda não fala o que é necessário ouvir, fala o que é confortável escutar. Divide a sociedade em blocos emocionais pobres contra ricos, “nós contra eles”, vítimas contra opressores porque pessoas divididas pensam menos e reagem mais. - Tudo para o grupo, nada para o povo
O discurso é social; o benefício é privado. O povo é a escada, não o destino. Essa lógica explica por que a retórica da igualdade convive tão bem com privilégios, estatais inchadas e sistemas falidos.
Essa forma de governar não busca elevar consciências, mas administrar dependências. Quanto mais fragmentada a sociedade, mais fácil conduzi-la.
A direita e o arquétipo do omisso moral
No outro polo está Jair Bolsonaro, representante de um arquétipo oposto: o moralmente convicto, mas estruturalmente incapaz de sustentar o confronto.
Bolsonaro acerta no diagnóstico, mas falha na execução. Quatro fatores o prejudicam:
- Fala, mas não sustenta o enfrentamento
Reconhecer o sistema corrupto é o primeiro passo. Enfrentá-lo exige coragem operacional, não apenas retórica. Bolsonaro recuou quando o embate exigiu ruptura real. - Abandona aliados com facilidade
Onde a esquerda blinda, a direita fragmenta. A incapacidade de manter um núcleo coeso enfraquece qualquer projeto de poder. Política não se faz sozinho e quem descarta aliados paga o preço da solidão estratégica. - Criou expectativa sem ruptura efetiva
Milhões acreditaram que o sistema seria enfrentado. Não foi. A frustração que se seguiu não fortaleceu a direita; desmoralizou-a emocionalmente. - Vive à espera da “próxima chance”
Enquanto a esquerda ocupa espaços, a direita aguarda o momento ideal. O problema é simples: o sistema não espera. Ele se adapta, se aparelha e se fortalece.
A direita brasileira, em sua base, é conservadora, produtiva, contrária ao assistencialismo crônico e orientada ao mérito. Mas valores, sem estratégia, não governam países.
Um país rico, exausto e à beira do colapso
O Brasil hoje respira com dificuldade. Instituições aparelhadas, estatais falidas, educação enviesada ideologicamente, valores familiares e espirituais desvalorizados. Um país rico em recursos, mas empobrecido em direção.
O resultado não é casual. É a soma de anos de um modelo que manipula consciências de um lado e de outro que falha em assumir o custo do enfrentamento real.
A esquerda governa pela narrativa.
A direita resiste pela indignação.
Nenhuma das duas, até agora, ofereceu maturidade suficiente para reconstruir o país.
A raiz invisível do problema
O Brasil não precisa apenas de novos nomes. Precisa de lideranças psicologicamente maduras, capazes de unir verdade com coragem, ética com estratégia, discurso com ação.
Enquanto a política for dominada por manipuladores convictos e opositores omissos, o país continuará dividido, cansado e vulnerável. A crise não é apenas econômica ou institucional é mental, moral e espiritual.
E nenhuma nação se sustenta por muito tempo quando perde o eixo interno que a mantém de pé.
Por
Ivo Peron
Terapeuta, hipnoterapeuta e analista do comportamento humano