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Com o objetivo de apresentar e defender as premissas do movimento municipalista brasileiro no texto da Reforma Tributária, a Confederação Nacional de Municípios (CNM), que representa mais de 5.200 Municípios filiados, participou na manhã desta quinta-feira, 28 de setembro, de sessão temática especial no Plenário do Senado destinada a debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019. Além do presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, gestores municipais indicados pela Confederação participaram representando prefeitos de todas as regiões do país. Na abertura da sessão legislativa, tanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, quanto o relator da PEC 45/2019, senador Eduardo Braga (MDB-AM), ressaltaram a importância de ouvir as lideranças municipais para receber as contribuições ao texto. O economista Bernard Appy explicou pontos do texto em debate e destacou os impactos positivos para os Municípios e a atuação da CNM na construção do texto. A entidade sugeriu a inclusão de duas emendas ao texto que tramita no Senado. As sugestões foram apresentadas pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA). Ziulkoski reforçou a representação da CNM e a necessidade do debate sobre o tema. “Agradecemos a oportunidade de a Confederação poder aqui, representando mais de 5.200 Municípios, trazer a posição do movimento sobre a reforma e as necessidades dos Municípios em relação aos urgentes e necessários ajustes ao atual texto da PEC aprovada na Câmara. Com esta representatividade, viemos aqui posicionar a irrefutável garantia das premissas tomadas pelos Municípios, sendo que a fuga ou desvio do conjunto delas, naturalmente, nos levará a ir contra a proposta de Reforma Tributária”, disse o presidente. ![]() Representantes estaduais Representantes da Diretoria e do Conselho Político da CNM puderam apresentar dados e posição sobre o texto em debate. O primeiro tesoureiro da CNM e prefeito de Santarém (PA), Nélio Aguiar, reforçou as premissas apresentadas. “O aprendizado que temos do modelo tributário trazido pela Constituição de 88 é que a União ampliou a tributação sobre as contribuições, sem partilhar com os Municípios. Porém, quando a intenção era gerar subsídios e benefícios fiscais, se serviu daqueles tributos partilhados, como o Fundo de Participação dos Municípios, dividindo a conta das reduções e isenções tributárias com os Municípios. Esta experiência nós, gestores locais, queremos evitar.” Sobre a transição proposta na Reforma, Nélio sinalizou a importância do dispositivo. “Se não tivesse transição, a receita líquida de ISS + ICMS (líquida de Fundeb) de Santarém passaria de R$ 142 milhões para R$ 278 milhões. A fatia do bolo tributário de Santarém passará de 0,06% para 0,1% ao longo da transição”, informou o prefeito. Ele também falou sobre a realidade dos Municípios amazônicos e falou da necessidade de tributação da mineração, citando que não é justo o país não receber recursos de riquezas que são produzidas nesses Municípios. No mesmo sentido, o presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM) e prefeito de Caridade do Piauí (PI), Antoniel de Sousa Silva, apresentou pontos defendidos pelos Municípios. “Infelizmente nosso país enfrenta recorrentes conflitos federativos que comprometem o ambiente de negócios e precisamos com urgência de um sistema tributário renovado que reforce o federalismo brasileiro, que simplifique o processo, amplie a segurança jurídica e, consequentemente, impulsione o nosso desenvolvimento”, reforçou o gestor. Ainda sobre as premissas defendidas pela CNM, o presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) e prefeito de Lagoa Nova (RN), Luciano Silva Santos, abordou pontos que precisam ser avaliados pelos senadores ao aprovar a nova legislação. “Todos os estudos desenvolvidos pela CNM, ao lado das associações, concluíram que, ao longo das décadas, pós-Constituição de 1988, a criação de 200 programas subfinanciados impactou negativamente os orçamentos dos Municípios.” Ele exemplificou as inúmeras defasagens nos programas, que têm piorado a situação de crise nos Municípios, e destacou que a CNM vai pedir a atualização desses programas no texto da Reforma. O 5º vice-presidente da CNM e prefeito de Manaquiri (AM), Jair Souto, falou sobre as peculiaridades da Região Norte e alertou para as desigualdades que existem no país e que precisam ser consideradas. “Eu pediria que a gente acrescentasse nessa Reforma a equidade, nós não somos iguais, somos um País de desiguais. E é preciso olhar com muito carinho. Qualquer patrimônio precisa ser mantido. O patrimônio da Amazônia precisa ser mantido e ele custa caro”, disse o prefeito amazonense. Ele também reforçou premissa defendida pela Confederação de que a Reforma precisa estabelecer que toda nova contribuição ou imposto deve ser obrigatoriamente compartilhado com os Municípios. A atuação da CNM foi destacada pelo presidente da Associação de Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Cecilia do Pavão (PR), Edimar dos Santos. “Não posso deixar de registar que vivemos um grande momento do Brasil. Precisamos que a reforma seja justa e verdadeiramente efetiva. A CNM tem trabalhado de maneira muito forte para que a gente defenda nossos Municípios.” Outros prefeitos de capitais e representantes de entidades municipais também puderam apresentar seus pontos de vista sobre a Reforma Tributária. O presidente da CNM entregou um ofício ao relator Eduardo Braga contendo todas as demandas dos Municípios. |
